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Myla Meneses: ‘A Ancestralidade como Resistência: A Figura dos Pretos Velhos’

Professora Myla Menezes (*) –

Enquanto a história oficial tentava apagar o passado de dor, a cultura popular e as religiões de matriz africana (como a Umbanda) preservaram a memória dos que sobreviveram ao sistema escravista através da figura dos Pretos Velhos.

Eles são o símbolo máximo da resiliência. Representados como idosos curvados pelo peso do trabalho forçado, mas detentores de uma sabedoria e bondade infinitas, os Pretos Velhos personificam:

A Memória Viva: Eles representam os africanos e seus descendentes que envelheceram nas senzalas e viram a “liberdade” chegar sem nenhum amparo do Estado.

Em um Brasil que marginalizava o negro liberto, a figura do Preto Velho surge para oferecer o conselho e a cura que a sociedade branca negava.

Ao transformar a dor do chicote em “axé” (força vital) e sabedoria, essa representação mantém viva a humanidade que o Racismo Estrutural tentou desumanizar.

A ausência de políticas de integração após 1888 não foi um erro de percurso, mas um projeto de exclusão. Ao não oferecer terras, educação ou reparação, o Estado brasileiro condenou a população negra às periferias e ao subemprego — uma engrenagem que o Racismo Estrutural mantém em funcionamento até hoje.

Portanto, evocar os Pretos Velhos neste dia de reflexão é honrar aqueles que, mesmo sob o jugo da opressão, plantaram as sementes da resistência que florescem nos movimentos sociais contemporâneos.

“A liberdade sem oportunidade é apenas uma nova forma de cativeiro.”

Essa estrutura reforça que o 13 de maio é uma data para analisar como as estruturas de poder se reorganizaram para manter privilégios, e como a população negra utilizou sua ancestralidade para não ser apagada da história.

(*) Mestra em História, especialista em Direitos Humanos e Relações Étnico-Raciais e Quilombola. Militante do Movimento Negro, pesquisadora da área de Educação Escolar Quilombola, Feminismo Negro e Educação para Relações Étnico-Raciais.

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