Manobra é vista como coisa de Zito, exonerado por Azambuja, que tenta retornar à prefeitura –

Por Valfrido Silva, jornalista do blog ContrapontoMS

Um beija-mão às avessas, como nunca se viu antes. Aliás, não estivessem os da primeira fila sentados, já que sua excelência o nobre novato Creuzimar Barbosa é cadeirante e, como tal, não podendo apenas se agachar, como nas fotos dos grandes campeões, certamente que esta foto poderia passar à história como a da vitória de Alan Guedes com os novos vereadores. Mas, e o ilustre intruso, o vice-governador Murilo Zauith, um dos principais e mais eloquentes cabos eleitorais de Barbosinha, o candidato governista derrotado justamente por Alan Guedes?

Murilo Zauith bem que poderia ter evitado tamanho constrangimento ao novo prefeito, dando um tempinho para que ele pudesse ao menos respirar aliviado, saboreando a vitória ao lado dos legítimos aliados, depois de tamanha refrega e, depois, pelo susto da inesperada vitória. Claro que Zauith, sempre defensor da renovação política, que lá atrás havia feito uma semeadura que prometia aquela que seria a maior renovação na classe política douradense – só não contando com as operações Owari, Brothers e Uragano – deve estar, agora, feliz pela vitória de Alan Guedes, talvez por entender que ele não represente tanto perigo à sua liderança como Barbosinha, por ele defendido durante a eleição como o grande gestor e o mais preparado para administrar Dourados.

Mas que diacho Alan Guedes foi fazer na Agesul, local de trabalho, em Dourados, do vice-governador e secretário de infraestrutura do estado? Para ser cumprimentado, não faz sentido, já que, pelo protocolo, Murilo é quem deveria ter tomado a iniciativa de ir até ele, ou, pelo menos dado um telefonema. Conhecer projetos, não cola, pois o que arrumaram como desculpa para mostrar a Alan Guedes e aos novos edis já havia sido cantado em prosa e verso, tendo sido um dos principais pontos da campanha de Barbosinha. Pra dizer que a campanha passou e que agora é hora de pensar em Dourados? Óbvio ululante, não precisava ter montado todo esse circo.

A menos que… não, será que vou ter que escrever aqui o que disse no calor da emoção na rádio Cidade 101, na boca da urna, ao anunciar a vitória de Alan Guedes? Bem, ali foi um comentário genérico, com base nas observações quanto ao derretimento da candidatura Barbosinha conforme se aproximava o dia da eleição, o que só poderia ser atribuído a algum tipo de traição. Não, Murilo Zauith, pelo menos ele, pessoalmente, pela eloquência e pela convicção de seus discursos não faria uma coisa dessas. O máximo que pode ter feito é vistas grossas para o comportamento de um ou outro entre seus muitos servidores, alguém que não ia com a cara e a careca de Barbosinha, afinal, não se pode exigir que todos sejam de uma fidelidade canina como sua secretária Andréia Vieira, a Goiaba, a porta-bandeiras da campanha de Barbosinha.

Coincidência ou não, concomitantemente com as boas-vindas a Alan Guedes na Agesul, o governador Reinaldo Azambuja punha pra correr da secretaria comandada por seu vice alguns servidores que não haviam trabalhado para Barbosinha. Entre eles, José Jorge Leite Filho, o Zito, tido como guru de Murilo. O mesmo Zito, também por coincidência, já cotado como futuro secretário de governo de Alan Guedes, o mesmo cargo por ele ocupado na administração Murilo. Além da continuidade das sinecuras, ficaria a impressão de que quem perdeu a eleição em Dourados, de novo, foi só o Azambuja, quem sabe o Valdenir…

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