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Munição de sobra

Pensata – 21/08/2007

Munição de sobra
Lula não está tão preocupado assim com a prorrogação da CPMF, o imposto do cheque. Acredita que depois de muita chiadeira, pressões e ameaças, sua base no Congresso contará com o apoio de parte da oposição e aprovará a sobrevivência daquele imposto que foi criado para ser provisório. Sua convicção vem do arsenal à disposição do governo para enfrentar essa guerra. Há munição de sobra nas mãos de seus comandados no Congresso. Bastaria posicionar o indicador no gatilho para conseguir os votos necessários na Câmara e Senado.
Exemplo do que está no paiol do comandante Lula: a autorização para que governadores aumentem seu endividamento, o que garantirá aos Estados recursos destinados a investimentos. Em outras palavras, mais grana para tocar obras, algo fundamental principalmente num período eleitoral. Ano que vem todo governador quer eleger muito prefeito visando 2010. Uns querem se reeleger, outros sonham com o lugar do petista Luiz Inácio Lula da Silva.
Pois bem, depois de receberem o aval do Ministério da Fazenda, os governadores descobriram que até a autorização final ainda há um caminho a ser percorrido. Descobriram mais: que o caminho será curto, longo ou até mesmo uma rua sem saída a depender do andamento da votação da CPMF. Trocando em miúdos: o Tesouro Nacional dará sinal verde aos governadores depois de garantir os mais de R$ 35 bilhões anuais que o imposto do cheque rende por ano.
O governador paulista José Serra espera esse sinal verde para captar mais R$ 4 bilhões. Seu colega de Minas Aécio Neves se prepara para obter mais R$ 2 bilhões. Já sabe até onde buscar essa grana. Já tem até o destino para esse dinheiro. Só falta o governo Lula dizer sim. Na mesma situação de Serra e de Aécio estão vários outros governadores. Todos sabem o que precisam dar para ter essa grana: os votos que comandam no Congresso para prorrogar a CPMF. Não bastasse essa munição, no caso dos dois tucanos eles têm um estímulo a mais para dar uma mãozinha ao governo Lula. Sonham em suceder o presidente petista a partir de 2011.
Esse é apenas um tipo de munição à disposição de Lula. Há outros. Não significa, porém, que o governo irá navegar em águas tranquilas até obter o que deseja. Muitos cargos de segundo escalão e em estatais serão sorvidos pela base aliada, para irritação dos petistas, até a votação final. É a última grande chance que os aliados têm para sugar pleitos importantes do Palácio do Planalto até a eleição. Ninguém quer perder esse trem.

Fonte: Folha Online

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