Sindágua-MS cobra apuração rigorosa sobre condições da obra e questiona ausência aparente de estruturas de proteção em escavação onde operário morreu soterrado
A morte do trabalhador Diego de Almeida, de 37 anos, durante obras de implantação da rede de esgoto em Maracaju, reacendeu questionamentos sobre segurança do trabalho, fiscalização e responsabilidade nas obras executadas dentro da Parceria Público-Privada (PPP) do esgotamento sanitário em Mato Grosso do Sul, operada pela Ambiental MS Pantanal, empresa ligada ao grupo Aegea.
O acidente ocorreu na manhã desta terça-feira (26/5), na Rua Raul Pires Barbosa, na Vila Moreninha, durante a fase final de implantação da rede coletora de esgoto. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o trabalhador acabou soterrado após o desmoronamento de uma parede de terra dentro da vala onde a equipe realizava o serviço.
De acordo com as reportagens, Diego chegou a ser completamente encoberto pela terra após o colapso da escavação. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas constatou que o trabalhador já estava sem vida quando as equipes chegaram ao local.
As informações publicadas também relatam que, durante os trabalhos de resgate, um novo deslizamento de terra ocorreu na área, aumentando os riscos para as equipes de salvamento e exigindo atuação cuidadosa dos bombeiros e da perícia.
O presidente do Sindágua-MS, Lázaro Godoy Neto, explica que o caso levanta questionamentos graves sobre as condições de segurança adotadas na obra: “As imagens divulgadas mostram uma vala profunda sem qualquer sinal aparente de escoramento ou blindagem metálica para evitar desmoronamentos. Isso precisa ser rigorosamente apurado. Segurança do trabalhador não pode ser tratada como detalhe em obras de esgoto”.
Segundo ele, outro ponto que chama atenção é a posição da escada utilizada para saída da escavação. “Mesmo considerando as informações divulgadas sobre eventual utilização de estrutura de proteção, as próprias imagens levantam dúvidas importantes. Se havia blindagem, por que a escada estava posicionada fora da área protegida? Onde estava a fiscalização da obra? Quem era o responsável técnico pelo acompanhamento dessas condições?”, questiona Lázaro.
Sindicato cobra investigação rigorosa
O caso foi registrado pela Polícia Civil como “morte por fato atípico” e deverá ser investigado pelas autoridades responsáveis.
Para o Sindágua-MS, além da investigação policial e pericial, é necessário aprofundar a análise sobre o cumprimento das normas de segurança em obras de escavação profunda, especialmente em serviços ligados à implantação de redes de esgoto. “O trabalhador entrou em uma vala para exercer sua função e não voltou para casa. É impossível tratar isso apenas como fatalidade sem discutir as condições de segurança e fiscalização existentes na obra”, explica Lázaro.
O dirigente também relacionou o episódio ao debate mais amplo sobre terceirização e modelos de PPPs no saneamento: “estamos falando de uma obra vinculada à PPP do esgoto, operada pela Ambiental MS Pantanal, ligada ao grupo Aegea. Quando existe pressão por produtividade, expansão acelerada das obras e busca por redução de custos, a preocupação com segurança precisa ser ainda maior”, afirma.
Acidentes em obras da PPP do esgoto preocupam sindicato
O Sindágua-MS lembra que este não é o primeiro acidente grave registrado em obras ligadas à implantação da rede de esgoto sob responsabilidade da Ambiental MS Pantanal, empresa vinculada ao grupo Aegea e responsável pela PPP do esgotamento sanitário em Mato Grosso do Sul.
Em setembro de 2025, o trabalhador Jeferson Moisés de Souza Silva, de 22 anos, morreu soterrado durante a instalação de uma elevatória compacta de esgoto no município de Selvíria. Na ocasião, o sindicato já havia cobrado apuração rigorosa sobre as condições de segurança adotadas na obra.
Antes disso, em janeiro de 2025, outro acidente em obras da rede de esgoto em Bataguassu deixou trabalhadores soterrados após desmoronamento em escavação. Segundo o Sindágua-MS, os episódios já haviam acendido um alerta sobre a necessidade de fiscalização mais rigorosa nas obras vinculadas à PPP do esgotamento sanitário.
Para Lázaro Godoy Neto, a nova morte registrada em Maracaju reforça a preocupação do sindicato com as condições de segurança dos trabalhadores envolvidos nas obras: “os trabalhadores atuam diariamente em atividades de alto risco, em escavações profundas e serviços operacionais pesados. Não é admissível que segurança seja tratada como algo secundário”.
O dirigente também faz críticas ao modelo de execução das obras e à pressão por produtividade e enfatiza que “quando existe pressão por produtividade, expansão acelerada das obras e busca por antecipação de resultados financeiros, o investimento em segurança do trabalhador precisa ser prioridade absoluta. Ele ainda questiona: “Será que os lucros antecipados em 10 anos pela PPP/AEGEA somente se deu pelos mais de R$ 700 milhões em investimentos não executados até agora, ou também têm como base a redução de custos em suas obras? Algo que talvez somente o MPE e MPF podem ajudar a responder”.
Debate sobre responsabilidade e fiscalização
O Sindágua-MS também reforça a necessidade de transparência sobre fiscalização, responsabilidade técnica e cumprimento das normas de segurança em obras vinculadas à PPP do esgotamento sanitário. “As imagens divulgadas causam preocupação. O que aconteceu em Maracaju precisa ser esclarecido com total transparência. O trabalhador não pode pagar com a própria vida por falhas de segurança, fiscalização ou gestão”, conclui Lázaro.






