Redação –
A morte de Gabriella, uma mulher trans de 27 anos, durante uma intervenção da Polícia Militar na tarde desta segunda-feira (16), motivou um posicionamento oficial da Associação das Travestis e Transsexuais de Mato Grosso do Sul (ATTMS). Em nota pública, a entidade manifestou pesar e exigiu transparência na investigação do caso, ocorrido na Praça Santo Antônio, região central da capital.
O confronto
Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para conter um grupo que estaria causando transtornos no local. Durante a abordagem, Gabriella teria reagido e avançado contra os agentes. De acordo com a versão policial, ela teria conseguido tomar a arma de um dos PMs e a apontado contra a guarnição.
Para conter a situação, os policiais efetuaram quatro disparos. Gabriella foi socorrida e encaminhada à UPA Coronel Antonino, mas não resistiu aos ferimentos. O caso foi registrado oficialmente como homicídio decorrente de intervenção policial.
Posicionamento da ATTMS
A nota divulgada pelo coletivo destaca que Gabriella vivia em situação de rua e insere o episódio em um contexto mais amplo de vulnerabilidade. “O Brasil figura entre os países com altos índices de assassinatos de pessoas trans e também entre os que registram maior letalidade policial”, afirma o documento, citando um “ciclo estrutural de violência”.
A associação ressaltou pontos fundamentais em sua manifestação:
- Legítima Defesa vs. Excesso: A ATTMS declarou que não compactua com atos de violência contra agentes públicos e reconhece o direito de legítima defesa da polícia, mas defende que o uso da força letal deve ser submetido a um rigoroso exame técnico para verificar sua proporcionalidade.
- Ética Policial: O grupo reiterou respeito à instituição policial, mas frisou que “a farda não pode servir de proteção para abusos”.
- Discurso de Ódio: A entidade denunciou comentários transfóbicos nas redes sociais após o ocorrido e informou que levará essas manifestações às autoridades, reforçando que a liberdade de expressão não autoriza o discurso de ódio.
Próximos passos
O caso segue sob investigação para apurar se os procedimentos adotados durante a abordagem na Praça Santo Antônio seguiram os protocolos de uso progressivo da força. A ATTMS cobra que o Estado cumpra seu dever de investigar possíveis violações de direitos humanos com total transparência.
