Redação –
A Justiça de Ponta Porã converteu em prisão preventiva, neste domingo (15), a detenção em flagrante dos três jovens suspeitos de agredir e torturar uma mulher trans no município.
A vítima, que utiliza o nome social Letícia, denunciou à polícia ter sido mantida em cárcere privado e submetida a tortura física e psicológica, além de ter sido marcada com um símbolo semelhante à suástica.
Segundo o relato, o crime ocorreu após um reencontro com o ex-companheiro, que teria convencido Letícia a acompanhá-lo até a casa de um casal. No local, ele afirmou que receberia pagamento por um serviço de corte de grama, conforme informações do portal Ponta Porã News.
Ao chegar à residência, a vítima foi separada do suspeito e levada para um escritório. No ambiente, ela encontrou um dos agressores sentado em frente a um frasco contendo uma porção de sangue. Ele teria ordenado que Letícia enterrasse o conteúdo. Após a recusa, ela foi ameaçada de morte e imediatamente imobilizada.
De acordo com o depoimento, a vítima passou a ser agredida com um taco de sinuca e uma vassoura, além de receber socos, joelhadas e pisões. O ex-companheiro teria participado das agressões, ajudando a imobilizá-la e tentando laçar seu pescoço com uma faixa de jiu-jitsu.
Ainda conforme o relato, uma das envolvidas teria destruído o celular da vítima com uma faca, afirmando que ela não poderia pedir ajuda.
Em outro momento, um dos suspeitos ordenou que a comparsa aquecesse uma faca no fogo. O objeto foi usado para provocar uma queimadura no braço esquerdo de Letícia, formando um desenho semelhante ao símbolo da suástica nazista.
Após as agressões, a vítima foi liberada sob ameaças de morte caso denunciasse o ocorrido. Ela conseguiu chegar até um estabelecimento próximo à rodoviária da cidade, onde pediu ajuda e a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul foi acionada.
Com as informações repassadas, os policiais localizaram e prenderam o ex-companheiro nas proximidades. Segundo a polícia, ele confessou ter agredido a vítima com dois socos e ter ajudado a contê-la durante parte das agressões.
Posteriormente, com reforço policial, os demais suspeitos foram encontrados na residência e conduzidos à Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, onde foram adotadas as providências legais. A Justiça determinou que os três permaneçam presos preventivamente enquanto o caso segue sob investigação.

