Redação –
A defesa de dois dos cinco presos na Operação Chargeback negou o envolvimento dos investigados com a quadrilha suspeita de aplicar fraudes em cartões de crédito, esquema que teria causado prejuízo superior a R$ 4 milhões a instituições financeiras. A operação foi deflagrada na manhã desta terça-feira (20) pela Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros).
Os alvos da operação são investigados pelos crimes de lavagem de capitais, fraude eletrônica, associação criminosa, posse ilegal de arma de fogo e ocultação de bens.
Procurado pela reportagem, o advogado Anderson Benites, que representa dois dos investigados, afirmou que seus clientes negam qualquer participação no esquema criminoso. Segundo a defesa, a inocência será demonstrada ao longo das investigações e, se necessário, durante a fase processual, por meio da apresentação de provas e documentos.
“O objetivo é assegurar a preservação da liberdade dos investigados durante toda a persecução penal, sempre em estrita observância ao devido processo legal e às garantias constitucionais”, afirmou o advogado em nota.
Esquema de fraude
De acordo com o delegado Pedro Henrique Cunha, responsável pela investigação, o grupo criminoso obtinha dados de cartões de crédito de terceiros, incluindo vítimas e pessoas que participavam do esquema como “laranjas”. Com essas informações, os suspeitos realizavam transações em máquinas de cartão pertencentes a um dos integrantes, vinculadas a uma empresa registrada em nome dele.
Após as transações, o grupo solicitava o adiantamento dos valores às instituições financeiras. Quando os bancos cobravam o pagamento, a fraude era identificada e os suspeitos desapareciam. Os titulares dos cartões, por sua vez, contestavam as compras, resultando no estorno das transações, o que gerava prejuízo direto às instituições financeiras.
Segundo a Polícia Civil, o esquema vinha sendo praticado desde 2023. Além do prejuízo estimado em mais de R$ 4 milhões, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 2 milhões em contas dos investigados.
Prisões e apreensões
Durante a Operação Chargeback, cinco pessoas foram presas, sendo quatro em caráter temporário e uma em flagrante, após a apreensão de uma pistola Glock, de uso restrito, com numeração raspada. O flagrante ocorreu em uma residência; segundo a polícia, o mandado era direcionado a um antigo morador do imóvel.
Também foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão. Entre os materiais apreendidos estão a arma de fogo, um carregador prolongado, cerca de 100 munições calibre 9 mm, oito máquinas de cartão, aproximadamente 40 cartões de crédito em nomes diversos, um veículo importado, além de celulares e computadores.
A operação contou com o apoio de equipes da Denar, Defurv, Derf e DHPP.
O nome da operação faz referência ao termo “chargeback”, que significa a contestação de uma compra feita com cartão de crédito ou débito junto ao banco, geralmente por suspeita de fraude, resultando na reversão do pagamento.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

