MS começa trabalho de prevenção à dengue
Prevenção – 09/10/2007
A dois meses do verão, Mato Grosso do Sul prepara-se para evitar uma nova epidemia de dengue. Estado e municípios pretendem investir mais em campanhas de prevenção e combate ao mosquito transmissor da doença.
Nós ainda não estamos no período mais crítico para a propagação da doença e, por isso mesmo, é hora de multiplicar as atenções e as ações.
Entre as doenças transmitidas por mosquitos, nenhuma se espalha mais do que a dengue. O aedes aegypti mede menos de um centímetro, vive apenas um mês. Ao contrário do pernilongo comum, ataca de dia e não se satisfaz facilmente. “Ele é absolutamente indócil, irritadiço. Pica você na hora que você se mexe. Pica outra pessoa, pica o terceiro, pica o quarto. Então um único mosquito pode causar um estrago em termos de transmissão de dengue”, explica o professor de Doenças Parasitárias da USP, Marcos Boulos. No mundo, 50 milhões de pessoas são infectadas por ano. É um problema de saúde nas regiões mais quentes, úmidas e pobres do planeta. No Brasil, de janeiro a julho, 98 pessoas morreram de dengue. Mais de 400 mil ficaram doentes. Para descobrir como combater a dengue, os cientistas estudam as características do mosquito. É a fêmea que pica. Ao entrar em contato com o sangue infectado, pega o vírus e pode transmitir a doença para todas as pessoas que picar, enquanto viver. Entre os mosquitos, o vírus também passa de mãe para filho. “No caso de uma fêmea infectada pelo vírus, quando ela faz a postura, ela já coloca ovos infectados pelo vírus. Desses ovos, vão nascer mosquitos que já têm o vírus. Isso cria a possibilidade de uma epidemia maior”, explica o entomologista da Fiocruz, Anthony Guimarães. Uma única fêmea pode dar origem a 1,5 mil mosquitos. Ela põe os ovos perto da água parada e nunca em um lugar só. É um jeito de garantir a sobrevivência da espécie. “Ela vai em uma casa e põe um pouco de ovos em um criadouro, em um foco. Ela voa e coloca em um outro foco e voa para a casa vizinha e vai espalhando a sua prole”, afirma o entomologista da Fiocruz, Ricardo de Oliveira. É nas cidades que o aedes vive, sempre perto do homem. “Ele não tem inimigo natural nenhum. Ele tem um grande amigo natural que é o homem. Então se o homem, a cada dia, continua produzindo criadouros dentro de casa, isso faz com que seja cada vez mais difícil combater o mosquito”, desta o entomologista Anthony Guimarães. Tentativas não faltaram. O aedes chegou ao Brasil nos navios que traziam escravos, há mais de 300 anos. No começo do século 20, assustava com a transmissão da febre amarela. Eram tantas mortes que navios estrangeiros começaram a evitar os portos brasileiros, prejudicando as exportações de café. Foi preciso invadir casas à força para combater o inseto. As brigadas antimosquito de Oswaldo Cruz provocaram revolta, mas conseguiram acabar com a febre amarela nas cidades brasileiras. “Esse sucesso de saúde pública, motivado pelo sucesso de Oswaldo Cruz, principalmente, fez com que a própria organização pan-americana de saúde, trouxesse como meta e orientação acabar com o aedes na América”, dize o professor de Doenças Parasitárias da USP, Marcos Boulos. Copacabana estava no auge. A Bossa Nova dava os primeiros passos e o Rio de Janeiro ainda era capital da República quando, nos anos 50, o Brasil foi declarado livre do aedes aegypti. A batalha tinha sido vencida, mas não a guerra. No final década de 60, o mosquito foi encontrado no Pará, depois na Bahia e, novamente, no Rio de Janeiro. Hoje, 50 anos depois do anúncio da erradicação, ele está espalhado por todos os estados brasileiros. E, de acordo com os especialistas, é praticamente impossível exterminá-lo. Hoje, a febre amarela está sob controle no país, mas o crescimento desordenado, a falta de saneamento e a enorme quantidade de lixo jogada nas ruas fazem a dengue se espalhar pelas cidades brasileiras. Para acabar com o aedes, seria preciso mudar a paisagem urbana. “Imaginar que a gente vai conseguir acabar com todo nosso lixo reciclável que acumula água, que a gente vai conseguir ter abastecimento de água para todo mundo, é uma coisa que a gente sonha. Mas talvez demore ainda alguns anos para gente chegar lá”, diz a médica sanitarista Denise Schout.
Fonte: TV Morena



