Movimento cultural não vai permitir retrocesso
Movimento cultural não vai permitir retrocesso
Lelian Paschoalick – 04/08/2008
A diretora-presidente da Fundação Cultural e de Esportes de Dourados (FUNCED), Lelian Chalub Amin Paschoalick assumiu recentemente o cargo em substituição a Raul Verão que assumiu a Secretaria de Governo com a missão de concluir o projeto cultural e esportivos da segunda administração do prefeito Tetila.
Em entrevista exclusiva a Folha de Dourados, Lelian Pascholick afirmou que o movimento cultural de Dourados não vai permitir que nenhum retrocesso nas conquistas alcançadas nos últimos oito anos.
Lelian faz um balanço das atividades desenvolvidas pela Funced, sobre a importância da criação do Fundado de Investimentos à Produção Cultural (FIP) e sobre a falta de apoio da iniciativa privada para apoiá-la a cultura e o esporte. Lelian também fala sobre a contribuição do Conselho Municipal de Cultura e o papel dos Pólos de Educação Municipal (Polems) que estão sendo construídos em várias regiões da cidade.
Lélian está em Dourados há 31 anos e observa que o movimento cultural está mais organizado e maduro. A diretora da Funced é graduada em Educação Artística e Mestre em História pela Universidade Federação de Mato Grosso do Sul (UFMS). Antes de assumir a direção da Funced, Lelian era coordenadora de Cultura da Funced. Desde o início da administração Tetila em 2001 na fundação Lélian é a profissional mais capacidade e conhecedora da estrutura e funcionamento da instituição.
Folha de Dourados – A senhora está desde há oito anos atuando na FUNCED desde o início da primeira administração de Tetila. O que foi feito no setor culturalneste período?
Lelian- Muita coisa. Em oito anos nós implantamos projetos em todas as categorias culturais, como literatura, artes plásticas, artesanato, música, dança, teatro… sendo que a principal característica foi a democratização do acesso à cultura. Elaboramos projetos atendendo a todas as formas de manifestação cultural da mais popular a mais erudita. Dessa forma, nossa política pública para a cultura atingiu de forma satisfatória as propostas de inclusão cultural. Temos um grande evento por mês, como exposições, shows e cursos, por exemplo. Outra coisa muito importante é que além de promover o processo democrático, também investimos na formação de platéia. Mais de 40 mil crianças, adolescentes, adultos idosos, alunos do Mova, índios e não-índios foram contemplados, muitas vezes como oportunidade única de presenciar eventos de grandes produções.
Folha de Dourados – Agora que a senhora assumiu a direção da Funced, quais são as suas metas para até o término da atual administração?
Lelian – São as metas das nossas atividades que já estão programadas para o ano todo, tanto cultural como esportivas. Ainda temos pela frente grandes eventos como Encontro de Corais, resultado do Concurso Literário, Meia Maratona, Bandas e Fanfarras, Mostra de Dança, Mostra de Teatro, além de várias exposições de artes plásticas.
Folha de Dourados – Qual a importância da criação do FIP – Fundo de Investimentos a Produção Cultural e qual o balanço que a senhora faz dos valores investidos e projetos realizados?
Lelian – A importância do FIP é que o produtor cultural e o artista que elaboram projetos de relevância cultural para o nosso município tem a oportunidade de receber recurso público para a realização desses projetos, sem precisar arriscar patrocínios. Os projetos selecionados atendem as diretrizes e critérios que regulamentam o Fundo e apesar do FIP ser um projeto elaborado pelo Executivo, é uma conquista da classe artística.
Folha de Dourados – Como a senhora avalia a apoio das empresas na área cultural?
Lelian – Infelizmente, em Dourados as empresas ainda não perceberam a importância de apoiar os projetos da nossa cultura. É um filão de marketing que as empresas de outros Estados e municípios já estão investindo maciçamente. Aqui o esporte recebe um pouco desse apoio, mas na área cultura deixa muito a desejar.
Folha de Dourados – O que foi feito pela Funced na área de lazer e esportes?
Lelian – A Funced, na área de esporte, é uma incentivadora em potencial, visto a quantidade de apoios realizados nesses oito anos. Todas as modalidades que nos procuram de uma forma ou outra foram contempladas. Dessa forma, automaticamente estamos atendendo o lazer levando aos bairros a área esportiva.
Folha de Dourados – A senhora é a favor da divisão da Funced em duas fundações, uma para cultura e outra para atender o esporte e o lazer?
Lelian – Não acho necessária essa divisão, porque atendemos apenas um município. No Estado, por exemplo, a cultura, o lazer e o esporte antes tinham status de secretaria e o Governo atual extingui e transformou em Fundação. Então por que o município de Dourados tem que separar os dois?
Folha de Dourados – Como a senhora avalia o movimento cultural de Dourados?
Lelian – Estou há 31 anos morando em Dourados e oito anos na administração pública. Observo que agora o movimento está mais organizado e mais maduro. Percebo que eles cresceram principalmente dentro das instituições, como nas universidades, citando os corais e grupos de teatro que estão se consolidando.
Folha de Dourados – Qual tem sido a contribuição do Conselho Municipal de Cultura?
Lelian – Quando criamos o conselho foi porque buscamos ouvir os anseios da classe em todas as categorias. Ele tem sido muito importante e produtivo, inclusive deu grande contribuição na lei do FIP e hoje contribui expressivamente para execução do mesmo. O conselho é a representação da classe, trazendo as reivindicações e propostas ao poder público. É o fórum legítimo para discussão das questões culturais.
Folha de Dourados – Como está a utilização dos espaços para manifestações públicas, como o Jorjão e o Teatro Municipal?
Lelian – Os espaços públicos são utilizados para as mais diversas formas de manifestações. É importante ressaltar que todos os espaços estão com o uso disciplinado, tem regulamento, regimento, responsabilidade com a conservação e manutenção do patrimônio público. Todos são utilizados permanentemente, o Jorjão, o Ginásio Municipal e o Teatro Municipal estão com as agendas lotadas, são usados para atividades religiosas, culturais, esportivas ou científicas.
Folha de Dourados – Qual será o papel do Pólem nesse contexto?
Lelian – O Polém, que é o Pólo de Educação Municipal, vai ajudar a resolver relativamente a necessidade de espaços físicos adequados para apresentações culturais e palestras. Eles estão em construção em bairros estratégicos como Parque Alvorada, Água Boa, Jardim Maracanã, Parque das Nações II, João Paulo II, Flórida II, de modo a atender toda a cidade. São auditórios completos, com capacidade de 300 pessoas, camarim, palco, sendo que o formato da estrutura é de circunferência plana. Os investimentos em cada Pólem são de aproximadamente R$ 600 mil. Vamos concluir a nossa administração entregando oito Pólens. Eles são muito importantes para descentralizar ainda mais as atividades culturais e de lazer.
Folha de Dourados – Como é que o próximo prefeito de Dourados vai encontrar a Funced e as ações culturais e esportivas?
Lelian – O próximo prefeito terá o privilégio de encontrar a Funced organizada, com projetos e programas tanto na área cultural quanto esportiva. Bem o contrário do que nós encontramos! Nem teatro de fato existia. Equipamos e reformamos os espaços e deixamos em condições de uso para a população. Os projetos criados na agenda da Funced, na nossa administração, já são consagrados, tem mais de três edições, como a Noite da Viola, Meia Maratona, Campeonato Interdistrital… podia citar uma série.
Folha de Dourados – Quais são as suas perspectivas para o movimento cultural douradense depois de oito anos de administração petista?
Lelian – Acreditamos que o movimento cultural de Dourados não vai permitir nenhum retrocesso nos projetos já conquistados. Com certeza a perspectiva é que muito ainda pode e deve ser feito. É preciso tomar cuidado e observar que a Funced atende a demanda da população da cidade e não de interesses pessoais. A cidade cresceu muito nesses oito anos e com certeza junto com isso vem as demandas. Tomara que na classe cultural e esportiva elas aumentem também! (Nicanor Coelho).
Fonte: Folha de Dourados



