Mostra de agricultura familiar estimula pequenos produtores
Corumbá – 20/10/2009
Juliana Moreno é agricultora em um assentamento da região de Corumbá, Mato Grosso do Sul. No lote da família, ela e o marido plantam cana e capim napiê. Ele produz rapadura para venda. Na última sexta-feira, dia 16 de outubro, Juliana participou da 3ª Mostra de Agricultura Familiar de Corumbá e da 1ª Feira de Sementes, realizadas na Estação Experimental do Campo, no assentamento Taquaral. Agora, ela pretende fazer uma horta para produzir alimentos para consumo próprio.A agricultora foi uma das quase 200 pessoas que acompanharam a Mostra, a maior realizada no município até o momento. No ano passado, a 2ª Mostra reuniu cerca de 80 agricultores familiares no mesmo local.“Foi a primeira vez que participei e aprendi com quem sabe. Todas as estações foram importantes, todas as perguntas foram respondidas”, disse Juliana, que mora no assentamento Tamarineiro II.Assim como ela, o agricultor Hermenegildo Choque Benito, da Bolívia, também se inscreveu e participou do evento. “Foi muito interessante, muito bonito. Gostei da parte de horticultura, de defensivos orgânicos, da ordenha higiênica e do saneamento rural”, afirmou. Ele é produtor de hortaliças e veio com outros três agricultores do país vizinho.Hermenegildo disse que gostou de conhecer como trabalham os agricultores familiares brasileiros e queria que esses fossem até a fronteira para conhecer a agricultura familiar boliviana.O sucesso da Mostra de Agricultura Familiar se deu, principalmente, pela união de forças entre todas as instituições envolvidas na organização: Embrapa Pantanal, Estação Experimental do Campo, Fundação Terra Pantanal, Secaf (Consultoria e Assessoria para Agricultura Familiar), Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), Cisv (Comunità Impegno Servizio Volontariato), Ataac (Associação dos Técnicos em Agropecuária dos Assentamentos de Corumbá) e várias secretarias da Prefeitura de Corumbá.Seis estações montadas no evento foram oportunidades de apropriação de conhecimentos e tecnologias pelos participantes em diferentes temas, como manejo agroecológico de plantas, adubos verdes, ordenha higiênica, caldas alternativas, agricultura familiar e alimentação escolar e pastagens recomendadas para ovinos.Para a mostra, agricultores urbanos e de assentamentos da região levaram verduras, frutas, legumes, artesanato, doces, queijos, sucos, mudas e sementes produzidas em suas propriedades.Pela manhã, logo depois da solenidade de abertura, o público acompanhou palestra com o pesquisador aposentado da Embrapa Instrumentação Agropecuária Antonio Novaes, de São Carlos (SP). Ele falou sobre a fossa séptica biodigestora e o clorador de água, tecnologias desenvolvidas pela empresa de pesquisa.Novaes falou da importância do tratamento dos resíduos de vasos sanitários na área rural para evitar contaminação do lençol freático e a transmissão de doenças. Apresentou a tecnologia das fossas sépticas, que já está sendo testada na região pela Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.O produto final desta fossa é um biofertilizante sem odor que melhora a qualidade da produção agrícola. “Quem não quiser usar o produto final como adubo pode fazer uma filtragem no fundo da caixa biodigestora e a água sai limpa, pode ir para o rio”, explicou.ALIMENTOSParticiparam da abertura da Mostra o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pantanal, Thierry Ribeiro Tomich, o secretário executivo de Educação de Corumbá, Hélio Lima, o vereador Carlos Alberto Machado, o representante da Superintendência de Agricultura do Mapa em Mato Grosso do Sul, Augusto César Farias, os agricultores Amélia Freitas e Cristiano Conceição e a pesquisadora Aldalgiza Campolin, da Embrapa Pantanal.Todos destacaram a importância da agricultura familiar para o país e a necessidade de apoiar a atividade. Augusto Farias disse que Mato Grosso do Sul tem aproximadamente 72 mil famílias que se enquadram nessa classificação: 36 mil são famílias assentadas (em 183 assentamentos), 20 mil são pequenos agricultores, 12 mil indígenas, 2 mil pescadores artesanais e mil quilombolas.“Mesmo com toda essa força de trabalho, 85% do consumo de alimentos do Estado vem de fora. Para consumo humano, nós só produzimos carne”, afirmou.Farias disse que esse tipo de evento promovido por instituições parceiras é o que a agricultura familiar precisa para se fortalecer. “Precisamos reduzir nossa dependência externa”, disse.
Fonte: Folha de Dourados



