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Mortes de advogados estão sem solução em Dourados

Pistolagem – 08/03/2008

Por volta das 20h30 do próximo dia 6 de abril, o assassinato do advogado trabalhista Nilson Francisco da Cruz, o “Nilsinho”, na época com 45 anos, completará dois anos e até hoje a polícia não tem pista dos autores e principalmente do suposto mandante do crime ocorrido no momento em que ele chegava de caminhonete em sua casa que ficava localizada à rua Ciro Melo, n.º 675, na área central de Dourados.
 “Nilsinho” na oportunidade foi morto com seis tiros de pistola, dois deles na cabeça.
De acordo com testemunhas, os tiros foram efetuados por um homem que estaria na companhia de um outro que o aguardava a poucos metros, dentro de um VW/Gol, de cor branco.
Assim como na morte de “Nilsinho”, outros atentados contra advogados na cidade, continuam até hoje sem uma solução, e os autores e supostos mandantes apostando na impunidade, continuam em liberdade.
Quanto às investigações sobre a execução sumaria de Nilson da Cruz por parte da Polícia Civil que é responsável pelo caso, para especialistas consultados pela folha de dourados o caso entrou assim como o do também advogado trabalhista Divino Mandele de Paula, para a lista de “insolúveis”.
Divino Mandele foi crivado de tiros de pistola há cerca de 14 anos na entrada da varanda de sua casa que ficava localizada em frente ao Caic, na periferia da cidade.
PROMESSAS EM VÃO
Além de “Nilsinho” e Divino Mandele, outros advogados foram alvos de atentados contra suas vidas na cidade, um deles, José Pereira, o “Pereirinha”, que também atuava na área trabalhista, sobreviveu à descarga de tiros contra sua vida, porém se encontra hoje paraplégico, em conseqüência dos ferimentos que sofreu.
Além destes três exemplos acima citados, o mais recente atentado contra advogado teve como alvo, Geraldo Assis, residente na Cohab II, na periferia da cidade.
Por razões segundo o advogado desconhecida por ele, durante a madrugada do mês de setembro de 2005, desconhecidos efetuaram tiros de pistola contra o portão de entrada de veículos de sua casa. “Estes tiros seriam um aviso para mim. Espero que a polícia descubra a autoria e quem estaria com vontade de tirar a minha vida”, disse na época Geraldo Assis, porém ele até os dias atuais não sabe quem teria sido o autor dos tiros contra seu portão.
Além destes atentados, consta também que alguns advogados foram alvos de ameaças de morte, inclusive uma advogada preferiu se mudar por entender que sua vida estava em risco caso permanecesse na cidade.
Quanto aos crimes atribuídos pela polícia com características de pistolagens, a reportagem da folha de dourados apurou que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) local, em que pese a sua força, não conseguiu fazer com que as investigações contra seus associados fossem devidamente apuradas e os autores e supostos mandantes fossem punidos de acordo com a Lei vigente no país.
Nos atentados, a OAB local através de suas respectivas diretorias na época limitou-se em todos eles a fazer manifestações públicas e cobrança da direção-geral da Polícia Civil, em Mato Grosso do Sul através dos respectivos secretários da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) na época, um maior empenho da polícia nas investigações, porém os casos caíram no esquecimento e até hoje os autores e os supostos mandantes, apostando na impunidade, continuam em liberdade.
Em todos os pedidos feitos pela OAB local houve promessas dos respectivos secretários de segurança em apurar os crimes contra os associados da entidade, porém passados vários anos, todas elas ficaram em vão e sem respostas principalmente para os motivos das execuções.
TREZE ATENTADOS
No caso da execução de Nilson da Cruz, dois dias após o fato a Sejusp indicou o então delegado Oduvaldo Pompeu de Oliveira, o “Telê”, para presidir o inquérito, no entanto, o policial mesmo declarando em entrevista coletiva à imprensa que teria pista para elucidar o caso, acrescentou na oportunidade que não tinha “segurança” para ele e sua equipe para prender os autores e o suposto mandante.
Coincidentemente “Telê” dias depois que assumiu o caso se afastou e atualmente se encontra aposentado de suas funções de delegado de polícia, embora a nomeação dele para comandar as investigações tivesse sido feita pelo então presidente da seccional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em Mato Grosso do Sul, Geraldo Escobar.
Na época Geraldo Escobar denunciou à imprensa que havia a suspeita da participação de antigos ou ex-policiais no assassinato de Nilson da Cruz e de um outro advogado na Capital, que morreu na UTI (Unidade de Tratamento Intensiva) da Santa Casa dias depois de ser baleado dentro de seu escritório, no dia 5 de abril do mesmo ano em que mataram o advogado douradense, em conseqüência dos ferimentos causados por tiros de pistola.
Até o ano passado a OAB/MS havia apurado que nos últimos 12 anos foram registrados 13 assassinatos de advogados no Estado, e nas execuções, à maioria das vítimas coincidentemente atuavam na área trabalhista.
Ainda na época, Geraldo Escobar alardeou para os meios de comunicações que iria até Brasília pedir ao então Ministro da Justiça para que os crimes de “pistolagem” contra os associados da OAB/MS fossem investigados pela Polícia Federal, entretanto, até hoje os casos continuam a “apurar” e sem nenhuma solução quanto à autoria dos atentados.  Waldemar Gonçalves – Russo

Fonte: Folha de Dourados

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