Redação –
A morte de um bebê de apenas um mês de idade está sendo investigada por suspeita de chikungunya em Dourados. Caso a causa seja confirmada, este será o quinto óbito pela doença no Estado, que lidera o ranking nacional de incidência.
De acordo com dados epidemiológicos, Mato Grosso do Sul registra 103,9 casos a cada 100 mil habitantes, índice superior à média nacional. A cidade de Dourados enfrenta uma epidemia da doença e já decretou emergência em saúde, contando com apoio da Força Nacional do SUS.
Boletim divulgado na terça-feira (24) aponta que o município acumula 1.286 casos prováveis de chikungunya, com 721 confirmações. A taxa de positividade chega a 76,8%. A maior concentração de casos está na Reserva Indígena, especialmente nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Ao todo, 27 pessoas estavam internadas com confirmação da doença.
Entre as mortes já registradas no Estado, há outro bebê, de três meses, que morreu no dia 10 de março. As demais vítimas são idosos: uma mulher de 69 anos, um homem de 73 e outra mulher de 60 anos.
Estado lidera incidência no país
Com mais de 3 mil casos prováveis em 2026, Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional de incidência de chikungunya, ficando à frente de Goiás e Rondônia. A taxa estadual está muito acima da média brasileira, que é de 9,2 casos por 100 mil habitantes.
No país, já são 19,5 mil casos prováveis, com 12 mortes confirmadas e outras em investigação. Mato Grosso do Sul concentra cerca de 15,5% dos casos e um terço dos óbitos.
Apesar do cenário preocupante, Dourados registrou queda recente nos casos. Entre os dias 8 e 14 de março, foram 94 notificações, número que caiu para 34 na semana seguinte.
Emergência e medidas de combate
Diante da epidemia e da sobrecarga no sistema de saúde, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul disponibilizou 15 leitos no Hospital Regional de Dourados para atendimento de pacientes com chikungunya. A taxa de ocupação chegou a 98% na cidade.
Uma reunião realizada entre a SES, a prefeitura e a Força Nacional do SUS definiu ações emergenciais. Entre as medidas, o Ministério da Saúde do Brasil deve contratar, em caráter temporário, 20 agentes de combate a endemias para reforçar o enfrentamento da doença.
Também estão previstas melhorias na regulação assistencial, no transporte sanitário e na integração entre as redes pública e privada.
A prefeitura confirmou que a morte do bebê segue sob investigação. Autoridades de saúde aguardam exames para confirmar a causa do óbito.

