Doce, inteligente, afetuosa e espírito livre. Essas foram as palavras que amigos e familiares escolheram para descrever Catarina Kasten na websérie “Ausências: as histórias por trás do Mapa do Feminicídio”, apresentada pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) nesta terça-feira (24).
Catarina atuava como professora de inglês e era estudante de pós-graduação na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Ela foi estuprada e morta no dia 21 de novembro de 2025 enquanto percorria a trilha da Praia do Matadeiro, no Sul de Florianópolis, a caminho de uma aula de natação. O autor do crime, Giovane Correa Mayer, foi preso ainda no ano passado.
Ambientada no quarto episódio da websérie, a narrativa reúne amigos, familiares, vizinhos e membros das comunidades das quais Catarina participava para contar sua história. Mas entre os diversos entrevistados, dois se destacam: o marido, Roger Gusmão, e o pai, Marcos Kasten.Receba no WhatsApp as principais notícias da Grande Florianópolis
A morte de Catarina Kasten
Foi durante uma aula de surf na praia do Matadeiro que Catarina conheceu Roger e, apenas um mês depois desse encontro, o casal já estava morando sob o mesmo teto na praia onde se conheceram. No episódio, Roger relembra o dia em que a esposa saiu para a aula de natação e não retornou para a casa.
Catarina Kasten e o companheiro, Roger Gusmão, viviam juntos em uma casa na praia do Matadeiro, no Sul da Ilha – Foto: Redes socias/@ahcatah/Instagram
“Eu sabia, internamente, que ela tinha sumido já às 9h da manhã. Passavam horas e ela não chegava, e eu com o coração apertado”, contou o marido. Catarina saiu de casa um pouco antes das 7h para e foi encontrada por turistas às 14h no início da trilha, já sem vida.
Na época, a repercussão do caso gerou alguns comentários negativos nas redes sociais, que questionaram o porquê de uma mulher estar sozinha em uma trilha. “Pra mim, ela foi duplamente atacada com esses comentários. Não era uma trilha fechada, era o caminho da casa dela, uma trilha de 10 minutos”, afirma Camila Amarante, vizinha de Catarina.
Câmeras registraram o autor do crime – Vídeo: Divulgação/NDTV RECORD/ND
Roger ligou para Marcos, pai de Catarina, horas depois de constatar o desaparecimento da esposa. Quando ele chegou ao local, haviam acabado de encontrar o corpo da filha e ele foi encaminhado para fazer o reconhecimento no IML (Instituto Médico Legal). “Não quero que nenhum pai passe por isso, nunca mais”, desabafou.
Os sonhos de Catarina eram muitos: começar um doutorado, ser pesquisadora na área da
Educação, dar aulas para escolas carentes, viajar pelo muito e diversos outros. “Ela gostava muito da vida”, disse Murilo de Melo, também vizinho.
Para Priscila Farias, professora orientadora de Catarina no mestrado, uma das maiores preocupações desde a morte da aluna foi garantir que as pessoas conheçam a Catarina para além do que aconteceu com ela. “A vida dela foi tirada, mas a história dela não vai ser apagada. A história dela continua”.
“Todos nós perdemos. A escola que ela iria dar aula, os alunos que ela dava aula de inglês, a universidade, e o pai e a mãe, que vão ficar com um buraco gigantesco dentro do peito que nunca vai ser preenchido, nunca. Jamais.” finalizou Marcos, contendo as lágrimas.
Arte para Catarina Kasten feita na UFSC – Foto: Arquivo pessoal/Roger Gusmão
Além de websérie, MPSC lançou prévia do Mapa do Feminicídio
Também nesta terça-feira, o MPSC realizou o
pré-lançamento do Mapa do Feminicídio, produzido pelo NEAVIT (Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas) e pelo EDC (Escritório de Ciências de Dados Criminais).
O estudo reúne dados e informações inéditas de procedimentos investigativos sobre feminicídios no estado, com o objetivo de aprimorar o entendimento desse cenário e orientar ações preventivas.
O lançamento oficial será realizado na próxima segunda-feira (30) no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Florianópolis, às 9h.
A websérie “Ausências: as histórias por trás do Mapa do Feminicídio” buscou honrar também as memórias de Ana Kémilli, Mônica e Eveline, mulheres vítimas de violência de gênero em SC nos últimos cinco anos. A produção já está disponível no Youtube pelo canal TV MPSC. (Informações R7)

