Morreu neste sábado (19), aos 77 anos, o médico sanitarista Paulo Roberto Teixeira, uma das referências em saúde pública no Brasil. Ele foi protagonista na criação da primeira resposta de governo à aids no Brasil, em 1983, época em que a doença era ainda pouco conhecida e marcada pelo estigma.
Era membro de tradicional família douradense, cuja origem é Álvares Machado, no interior de São Paulo. O reconhecimento nacional, levou a Câmara Municipal lhe conceder o título de Cidadão Douradense.
Paulo Roberto Teixeira estudou na Escola Estadual Presidente Vargas. Era filho do casal Paulo Almeida Teixeira e Maria do Carmo Teixeira, que por muito tempo foi proprietário de um loja de aviamentos na Marcelino Pires, entre as ruas João Cândido Câmara e Nelson de Araújo, ao lado da gráfica do senhor Aristides Amarilha. O gráfico veio de Ponta Porã, a convite do advogado Weimar Torres, para imprimir o Jornal O Progresso, nos primórdios do periódico em Dourados.
O médico teve três irmãos: José Paulo (advogado, que faleceu em Bonito), Plínio Gastão e José Roberto Teixeira, que ainda jovem morreu em acidente em frente ao atual Parque Antenor Martins (Parque do Lago). A avenida onde ocorreu a tragédia, que abalou a sociedade douradense, foi depois denominada pela Câmara de Vereadores como José Roberto Teixeira, uma das mais importantes de Dourados.
O corpo do médico douradense, que fez história no mundo das ciências, está sendo velado no Cemitério do Araçá, na capital paulista, onde será sepultado às 14 horas (Brasília) deste domingo.
Quando os primeiros casos da doença foram confirmados em São Paulo, Teixeira estava à frente do programa de hanseníase do estado. A experiência com uma doença que também era marcada pela exclusão, ajudou a desenhar para a aids uma política pautada no direito à saúde e ao respeito, que passava pela prevenção e assistência, incluindo o acesso aos antirretrovirais, e o trabalho em parceria com sociedade civil.
Em 2000, já à frente do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira passou a denunciar que os preços dos medicamentos eram inviáveis para a manutenção do acesso universal ao tratamento de aids pelo SUS e passou a defender a quebra de patentes dos laboratórios farmacêuticos.
Defendeu que a Lei de Patentes brasileira, aprovada em 1996, limitou o acesso à saúde e organizou um programa internacional de transferência de tecnologia entre países do Sul global para a produção de antirretrovirais genéricos.
Esse movimento foi fundamental para que em 2001, a Organização Mundial do Comércio reconhecesse que o direito à saúde está acima das regras de propriedade intelectual e fortaleceu a luta dos países pobres pelo direito de acesso ao tratamento.
A luta pelo acesso universal ao tratamento seguiu na OMS, quando Paulo Roberto Teixeira, assumiu em 2003 o Departamento de HIV/Aids da OMS e lançou a estratégia 3 by 5 que estabeleceu a meta de 3 milhões de pessoas vivendo com HIV em tratamento até o fim de 2005.
Em nota, o Ministério da Saúde manifestou pesar pela morte de Paulo Roberto Teixeira, reconhecendo que ele foi um dos “nomes fundamentais da resposta do país à epidemia” e que Paulo Teixeira “dedicou a vida à defesa da saúde como direito, dos direitos humanos e do acesso universal à prevenção e ao tratamento”. (Com Agência Brasil)




