O publicitário Duda Mendonça durante depoimento na CPMI dos Correios, em 2005: peça chave no escândalo do Mensalão Foto: Ailton de Freitas-11-08-2005 / Agência O Globo

Segundo a coluna de Lauro Jardim, ele faleceu vítima de um câncer no cérebro. Mendonça foi responsável pela campanha vitoriosa de Lula em 2002 e foi importante personagem na CPI dos Correios e no escândalo do mensalão

O publicitário Duda Mendonça morreu nesta segunda-feira aos 77 anos. Ele estava  internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, há dois meses e foi vítima de um câncer no cérebro, segundo informou o colunista Lauro Jardim.

Mendonça foi um dos marqueteiros políticos mais importantes do país. Ele fez a campanha do ex-presidente Lula em 2002, quando o petista foi eleito à Presidência. É dele o slogan que impulsionou a candidatura de Lula naquele ano e é usada até hoje em acenos do petista ao centro: “Lulinha, Paz e Amor”.

Lauro Jardim: Bolsonaro e Mourão não se falaram durante cerimônia do Exército

Publicitário de origem, Duda Mendonça abriu a agência DM9 em 1975, em Salvador. Sua estreia no marketing de político, no entanto, aconteceria 10 anos depois, em 1985, ao trabalhar na campanha que elegeu Mario Kertez à prefeitura da capital baiana.

Sete anos depois foi o marqueteiro de Paulo Maluf, que pela primeira vez se elegeria prefeito de São Paulo por via direta. Na lista de clientes de Mendonça também estão Ciro Gomes e Marta Suplicy.

Mendonça também foi personagem fundamental da CPI dos Correios, a do mensalão. Em, agosto de 2005, deu um depoimento explosivo aos senadores, admitindo que recebera pagamentos do PT numa conta no exterior, via caixa 2. A partir dali, terminaria sua relação coma sigla. Já internado, segundo Lauro Jardim, Mendonça recebeu uma visita de Lula, que estava no Sírio para um check up. Foi a primeira vez que se viram em mais de uma década sem se falar.

O publicitário também foi investigado na operação Lava-Jato e assinou, em 2017, um acordo de delação premiada.

Em nota, Lula lamentou a morte do publicitário, a quem chamou de “gênio da comunicação política”:

“Duda Mendonça foi um gênio da comunicação política. O seu trabalho na campanha de 2002 já está na história como uma das campanhas mais bonitas e sensíveis da nossa história. Em um momento em que o Brasil sofria com uma crise aguda, racionamento de energia e miséria, Duda Mendonça produziu filmes e mensagens de muita sensibilidade, de que a esperança venceria o medo. Aos seus familiares e amigos, meus sentimentos”.

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, por sua vez, chamou o publicitário de amigo e disse que esteve sempre presente e solidário “nos momentos mais duros e difíceis que passamos juntos”.

Leia também:Ministros do STF evitam polarizar com Bolsonaro e optam por silêncio sobre ameaças de impeachment

“Um dia de tristeza e dor pela morte meu amigo Duda Mendonca sempre presente e solidário nos momentos mais duros e difíceis que passamos juntos. Publicitário genial criativo inovador um dos maiores do nosso Brasil responsável pela campanha na TV e rádio que sabia fazer como ninguém vitoriosa de Lula em 2002 mas principalmente amigo e companheiro Deixo aqui meu abraço de conforto a sua esposa Aline Lucas e demais filhos e filhas”, disse Dirceu.

O marqueteiro João Santana disse, em nota, que a morte do colega é uma “perda irreparável”. Ambos trabalharam para o PT.

“É uma perda irreparável. Duda foi um divisor de águas no marketing político brasileiro. Para nossa área, teve o mesmo significado de Boni para a TV brasileira: criador de estilo e renovador de linguagens. Todos nós devemos muito a ele”, disse Santana.

Pelas redes, petistas lamentaram a morte de Duda. O governador da Bahia, Rui Costa, descreveu o marqueteiro como “publicitário que teve o seu talento reconhecido no Brasil e no mundo”. O deputado federal Paulo Teixeira o chamou de “grande publicitário”. (O Globo)

Comentários do Facebook