Mistério no Casarão
Algo muito estranho está acontecendo na Prefeitura Municipal de Dourados. De lá, todas as semanas surgem rumores de fatos inadmissíveis
Editorial – 26/11/2009
EDITORIAL
Mistério no Casarão
Algo muito estranho está acontecendo na Prefeitura Municipal de Dourados. De lá, todas as semanas surgem rumores de fatos inadmissíveis tendo como protagonistas homens e mulheres na vida pública. Se forem mentiras como alega o prefeito Ari Artuzi (PDT), inclusive ameaçando processar jornalistas e meios de comunicação, então alguém está plantando inverdades para prejudicar, não só o prefeito, como o município de Dourados que já é tratado com chacota em todo o Estado, diante da dimensão da repercussão. Em ambos os casos é imperativo que tudo seja apurado para que a verdade venha à tona.
Os “vazamentos” nas entranhas do Poder Executivo de Dourados deságuam num mar de lama composto por assédio sexual, superfaturamento de obras, enriquecimento ilícito, caixa dois, salários “por fora” e uma série de irregularidades, tudo, é claro, bancado com dinheiro dos contribuintes.
Ainda que a maioria desses “vazamentos” não venha acompanhada com provas reais das irregularidades e importante lembrar das operações Owari e Brother que prendeu e afastou importantes secretários municipais. Também o “Escândalo do Guaviral” – o loteamento superfaturado (Dioclécio Artuzi) com a ampliação do perímetro urbano – respinga no prefeito, ele queira ou não. Esses casos comprovados acabam legitimando, no imaginário social, os burburinhos que podem ou não ser verdadeiros. Eis a importância para que tudo seja esclarecido.
De qualquer maneira, é importante salientar também que o comportamento desse prefeito da segunda maior e mais importante cidade de Mato Grosso do Sul é questionável. Afinal, já foi visto atirando pedras em luminárias para testar a resistência, vive às turras com jornalistas, destruiu patrimônio cultural (ervateiro), agride sem piedade a língua portuguesa e tem um discurso, no mínimo, vergonhoso. Ser de origem humilde e um homem de pouco estudo não impede ninguém de ser educado e ter a compostura que o cargo de chefe do Executivo requer.
Entretanto, em que pese à descompostura de Artuzi, é certo que há traição na Prefeitura. Se os rumores são verdadeiros ou mentirosos não deveriam vazar como vazam, em se tratando de cargos de confiança.
Se tudo não passar de mentiras e esse material for utilizado para denegrir sua imagem, Artuzi tem sim, direito, de processar seus eventuais difamadores. Agora, se a metade dos comentários for verdadeira, cabe à sociedade civil organizada tomar providência de exigir um atestado de sanidade mental desse cidadão e uma vez incapacitado de gerir o destino de 200 mil habitantes que seja afastado do cargo através de uma interdição para o devido tratamento psiquiátrico.
Caso a Câmara Municipal tenha independência e coragem pode também propor a “CPI dos Rumores”.
Fonte: Folha de Dourados



