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Missionários traduzem Bíblia para língua indígena em MS

Religião – 27/05/2009

Obras sociais de algumas das dezenas de igrejas evangélicas presentes no Brasil apóiam populações que frequentemente são esquecidas pelo poder público. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto a população brasileira cresceu 15,5% entre os dois últimos censos, o número de evangélicos dobrou. Hoje eles são cerca de 15% dos brasileiros. Como a maioria católica inclui 73% da população brasileira, as obras da Igreja Católica são bem conhecidas. Criada no início do século 20, em Belém, a Assembleia de Deus, uma igreja brasileira, tem hoje 8,4 milhões de fiéis espalhados pelo país. São evangélicos do ramo pentecostal, que acreditam no poder do espírito santo e na música como oração.“Quando você está fazendo música você sente na pele, fica arrepiado. Quando a gente faz para Deus, quando dá aquele arrepio, é porque Deus recebeu”, diz Gilberto Oliveira, que achava que seria técnico em química e hoje toca no culto e também na Orquestra Municipal do Rio de Janeiro. Ele se descobriu músico nas oficinas da igreja, trabalho mantido com o dízimo.Para Nelson dos Anjos, pastor da Assembleia de Deus, o que as pessoas costumam ouvir de errado é que a igreja só existe para pegar dinheiro do povo. “Os pastores são tidos como charlatões, pegadores de dinheiro, mas ninguém vê o processo social, os acontecimentos sociais que a igreja promove”, afirma.A origem das igrejas evangélicas está no distante século 16. Na decisão de homens como o monge Martinho Lutero e o teólogo João Calvino em romper com a Igreja Católica. O primeiro, por não concordar com o pagamento das indulgências, a possibilidade de comprar o perdão divino. O segundo, por querer uma grande reforma na organização e nos ritos católicos, um movimento conhecido como protestantismo, de onde derivam a imensa maioria dos evangélicos de hoje.“Com Lutero temos uma nova teologia muito calcada na interpretação da Bíblia pelo próprio indivíduo. Você tem que assumir para você que as orientações para a sua vida estão na Bíblia”, diz a socióloga Maria das Dores Machado.A Bíblia diz que a missão dos cristãos é divulgar a palavra de Deus pelo mundo. Os presbiterianos foram para Dourados, Mato Grosso do Sul, em 1928, para levar o evangelho, com a autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai), à maior aldeia do Brasil. A Igreja Presbiteriana tem origem no século 16 e está no Brasil desde 1859. Hoje são 980 mil fiéis.A Igreja Presbiteriana é conhecida por valorizar os valores éticos e morais. Na Missão Kaiwá, foi construído um hospital só para índios e também uma escola com ênfase evangélica. Em meio à disputa por terras na região, que já dura décadas, o preconceito afastou brancos e índios e dividiu a tribo. Hoje, são dois caciques e nenhum pajé, o líder espiritual. O último morreu há cinco anos. Agora, as doenças são tratadas só no Hospital da Missão.Na escola indígena, os mais velhos tentam não deixar a cultura morrer e na Escola da Missão, as aulas dos brancos funcionam como reforço, como ferramenta para entender e transitar no mundo dos brancos.“Ensinar uma criança que está ao seu lado, ou curar a ferida de alguém que está sofrendo no hospital são gestos que não são feitos simplesmente por um profissional, mas por alguém que tem um ideal de servir e alguém que gostaria de, através daquele gesto, expressar o grande amor de Deus” afirma o reverendo da Igreja Presbiteriana, Benjamim Bernardes. O reverendo Benjamim sabe que, para tudo isso dar certo, uma barreira teve que cair. Afinal, são evangélicos americanos de língua inglesa, no Brasil, trabalhando com índios que falam o kaiwá. Um dos maiores desafios dos missionários, portanto, foi tentar entender a língua dos índios para poder falar de igual para igual com eles, mas os religiosos foram além: conseguiram registrar pela primeira vez, por escrito, a gramática da língua, e ainda fizeram uma Bíblia feita para os índios e escrita na língua deles.“Eu gostei da parte onde diz que Deus não quer que nenhum dos pequeninos se percam. Assim como Ele amou a ovelha perdida, Ele ama a todos igualmente. A missão trouxe uma nova realidade para nós”, diz o índio Natanael Cárceres.

Fonte: G1

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