Ministério Público pede que ONG devolva R$ 4,2 milhões
Cofres Públicos – 06/03/2008
O Ministério Público Federal em Goiás (MPF/GO) entrou hoje (6) com ação civil pública para pedir o retorno aos cofres públicos dos R$ 4,2 milhões repassados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para a organização não-governametal (ONG) Instituto Nacional de Formação e Assessoria Sindical da Agricultura Familiar Sebastião Rosa da Paz (Infas).
O procurador Raphael Perissé afirma que há uma série de irregularidades na execução do contrato por parte da ONG, como o descumprimento de cláusulas contratuais para dificultar a fiscalização do uso do dinheiro repassado pelo Incra.
“O Infas tem outras contas no Banco do Brasil e em outras instituições financeiras e houve um derramamento de dinheiro nessas contas o que impede até a fiscalização para averiguar se aquele recurso foi efetivamente empregado na finalidade que deveria”, explicou o procurador.
Segundo Perissé, somente essa irregularidade já seria suficiente para embasar a ação que pede o encerramento do contrato, o congelamento dos bens da ONG e o retorno do dinheiro repassado para os cofres públicos.
No entanto, o procurador disse ter encontrado outras irregularidades, como pagamentos para entidades que não estavam previstas no contrato e a apreensão de notas fiscais em branco, que poderiam ser utilizadas para fraudes.O procurador afirmou que as investigações para descobrir os responsáveis pelas irregularidades – que poderão responder por improbidade administrativa – devem continuar. Segundo ele, ainda não foi apurado se o objetivo do contrato – a capacitação de assentados da reforma agrária – foi cumprido.
O Incra divulgou uma nota afirmando que “grande parte dos problemas apontados na ação ajuizada podem ter decorrido de informações insuficientes que foram apresentadas, durante o processo administrativo de investigação instaurado pelo Ministério Público”. No entanto, segundo a nota, todos os aspectos questionados já foram devidamente esclarecidos, na ação judicial.
No mês passado, o MPF em Goiás havia conseguido uma liminar que impediu o repasse da última parcela prevista no contrato, no valor de R$ 1,7 milhão, para o Infas. Essa mesma ação também assegurou a indisponibilidade dos ativos financeiros e a quebra do sigilo bancário do instituto.
Fonte: Folha de Dourados



