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Messi e Yamal formando aura ‘one nine’, por Anita Tetslaff

Em uma das maiores coincidências da história do futebol, Lionel Messi e Lamine Yamal se reencontram 19 anos depois de uma foto icônica para decidir o título mundial em uma final marcada pelo número 19

Anita Tetslaff (*) –

Antes de mergulharmos na história digna de roteiro de cinema que envolve Lionel Messi e Lamine Yamal, é preciso entender o título escolhido para este artigo: “Messi e Yamal farmando aura ‘one nine’”. Para muitos leitores, a expressão pode soar como um código indecifrável, mas ela carrega consigo todo o espírito de uma geração que transformou o acaso em mitologia e o número em profecia.

A expressão “farmar aura” emergiu nas comunidades de jogos eletrônicos e foi incorporada ao vocabulário adolescente dos anos 2020 como uma metáfora para o acúmulo de prestígio, sorte ou significado existencial. O termo “farmar” deriva do inglês to farm, utilizado em RPGs para descrever a ação repetitiva de coletar recursos ou pontos de experiência com o objetivo de evoluir um personagem. Com o tempo, o verbo transcendeu os limites dos jogos e passou a designar, no cotidiano juvenil, o esforço contínuo para conquistar algo valioso, seja reconhecimento social, habilidades ou bens simbólicos.

Já a palavra “aura”, na gíria contemporânea, refere-se à energia, ao carisma ou ao “brilho” que uma pessoa emana. Ter uma boa aura é ser visto como alguém especial, abençoado ou destinado a feitos notáveis. Quando jovens dizem que alguém está “farmando aura”, estão sugerindo que essa pessoa está acumulando pontos de prestígio, sorte ou relevância cósmica, como se o universo estivesse deliberadamente conspirando a seu favor, seja por meio de esforço pessoal, seja por uma série de coincidências aparentemente inexplicáveis.

A original combinação “six seven” (ou “67”) é uma variação numérica que apareceu em fóruns e redes sociais como uma espécie de meme enigmático, representando uma “onda” ou “vibração” misteriosa que acometeu sem explicação aparente. Não há uma origem clara, mas o número se espalhou como representação de tudo aquilo que não pode ser racionalizado, como sincronicidades, coincidências fortuitas, fenômenos que parecem desafiar a estatística.

E é exatamente isso que ocorre com o “one nine” (19) na trajetória de Messi e Yamal. O número não é apenas uma coincidência numérica; ele se tornou, para os jovens que acompanham o futebol, um símbolo de “aura farmada”, uma sequência de eventos tão improvável que só pode ser explicada por alguma força maior, ou pelo acaso mais extraordinário já registrado no esporte.

Tudo começa com uma imagem singela e, à primeira vista, inocente. O jovem Messi, ainda com os cabelos compridos e a timidez de quem começava a brilhar, dá banho em um bebê durante uma campanha beneficente da UNICEF em dezembro de 2007. Quase duas décadas depois, a cena que parecia apenas um gesto de solidariedade se revelou o prólogo de um dos enredos mais improváveis do esporte. No último domingo, 19 de julho de 2026, Lionel Messi, a lenda argentina de 39 anos, e Lamine Yamal, a joia espanhola de 19, se encaram na final da Copa do Mundo. O que os une, além do talento e da camisa do Barcelona, é uma sucessão de coincidências numéricas que desafiam a lógica e alimentam a narrativa de um destino escrito há 19 anos.

A foto permaneceu esquecida por anos, até que o pai de Yamal a publicou nas redes sociais em 2024, durante a campanha da Espanha na Eurocopa. A partir dali a imagem se tornou viral e, com a ascensão meteórica do jovem atacante, o mundo passou a enxergar aquele momento como um “batismo” futebolístico.

O que torna essa história tão fascinante, no entanto, não é apenas a foto, mas a teia de coincidências que a cerca, com o número 19 como fio condutor. Os paralelos são inúmeros e impressionam até os mais céticos. O reencontro acontece exatos 19 anos após o ensaio. Tanto Messi em sua estreia em Copas (2006) quanto Yamal nesta edição vestem a camisa 19. A final, marcada no dia 19 de julho.

E as coincidências não param por aí. Os dois canhotos jogam pela direita, foram formados nas categorias de base do Barcelona e começaram sua trajetória no clube catalão com a camisa 19, antes de herdarem a lendária 10. O fotógrafo Joan Monfort, que testemunhou a cena, admite a dimensão quase sobrenatural do que está em jogo: “Eu não acreditava em destino, mas agora acredito”.

Cálculos divulgados pela imprensa, baseados em modelos de inteligência artificial, apontam que a probabilidade de um bebê fotografado ao lado de Messi se tornar seu adversário em uma final de Copa do Mundo 19 anos depois é de uma em 625 trilhões. Para efeito de comparação, a chance de ganhar na Mega-Sena é cerca de 12,5 milhões de vezes maior do que essa sequência de eventos ocorrer.

Nesse contexto, a psicologia entra em cena com o chamado Efeito Pigmalião, em que altas expectativas depositadas sobre uma pessoa podem influenciar positivamente seu desempenho. Não que Messi tenha transmitido “talento” no banho, mas a descoberta da foto, somada à pressão e à admiração por seu ídolo, pode ter moldado a crença de Yamal em seu próprio potencial e destino.

O futebol é movido a narrativas, e a final da Copa do Mundo de 2026 apresenta um roteiro digno de Hollywood. O “bebê de Messi”, como Yamal já foi chamado, estava pronto para escrever seu nome na história, erguendo o troféu de campeão do mundo aos 19 anos e sacramentando o simbolismo do número que o persegue. Na outra ponta, o veterano argentino, que já conquistou tudo, pode ter visto em seu “afilhado” acidental o último grande desafio de sua carreira.

Quando a bola rolou no MetLife Stadium, o que estava em jogo foi para além do título. Foi o desfecho de uma história iniciada em um vestiário por um acaso do destino. Se em um filme essa trama seria criticada por ser forçada, na vida real ela se apresenta como uma prova de que, de vez em quando, a realidade supera a ficção. A vitória da Espanha, liderada por seu jovem talento, foi a conclusão perfeita para essa epopeia, confirmando a sucessão geracional e consolidando a “era Yamal”, uma era que começou em um banho, em 2007, e agora se consagra sob os holofotes do mundo, exatamente 19 anos depois.

(*) Jornalista. Professora. Doutoranda e Mestra em Educação, na Área de Concentração em História e Políticas e Gestão da Educação, pela UFGD. Especialista em Administração de Marketing, pela Uniderp. Especialista em Metodologia do Ensino, pela Universidade Braz Cubas.

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