Mentiras, por Carlos Sardenberg
Artigo – 25/07/2007
Todos os órgãos responsáveis pelo setor aéreo – Aeronáutica, Anac, Infraero – sustentavam que as operações em Congonhas eram seguras e seguiam os padrões internacionais ótimos e atualizados.Agora, dizem que a diminuição do número de vôos em Congonhas vai garantir mais segurança. Ou seja, antes não era.A Infraero informa que já iniciou as obras para introduzir as ranhuras (o famoso grooving) na pista principal de Congonhas. Diz que o serviço será executado em 20 dias, por uma força tarefa que vai trabalhar à noite para não atrapalhar o funcionamento da pista auxiliar durante o dia. Antes, a mesma Infraero dizia que as ranhuras nem eram tão necessárias e que as obras demorariam o dobro do tempo e que poderiam interromper o tráfego.A Aeronáutica informa agora que nenhum aeroporto brasileiro tem o ILS3 – sistema de aproximação das aeronaves por instrumentos, que permite pousos com visibilidade quase nula, durante nevoeiros e chuvas fortes. Congonhas usa o ILS1, primeira versão desse aparelho. Guarulhos, mais avançado, tem o ILS2. Ou seja, o sistema de segurança não está atualizado (nós, os leigos, ficávamos mesmo intrigados: como é que não se podia pousar com chuva se nos EUA e Europa se pousa com neve? A resposta está aí: ILS3 e pistas melhores).Assim, quando as autoridades informam que os atrasos do dia se devem à chuva e ao nevoeiro, é falso. Devem-se à falta de instrumentos.Em tempo: cada um desses ILS3 custa cerca de R$ 4 milhões. Para equipar com isso os dez principais aeroportos se gastaria uma mixaria, se comparada a quantia com o que se gastou com as reformas externas de Congonhas e Santos Dumont.Tudo indica que a administração de todas as áreas – tráfego, aeroportos e segurança – falhou. Por que o pessoal não se demite?
Fonte: G1



