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Médicos denunciam licitação e espalham faixas em diversos pontos de Dourados

Juliel Batista –

Uma denúncia recebida com exclusividade pela Folha de Dourados revela que médicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e do Hospital da Vida realizaram manifestação silenciosa na madrugada desta segunda-feira, 13 de abril, espalhando faixas em diversos pontos estratégicos da cidade. As faixas, contudo, são apócrifas.

As faixas foram instaladas em locais de grande circulação, como a Avenida Marcelino Pires, CSU, Estádio Douradão (Jorjão), Trevo da Bandeira (saída para Ponta Porã e entrada da cidade), Parque Rego D’Água, Posto Santo André, Hospital da Vida, Transbordo, Avenida Nova Roma, Parque do Lago, Seleta, Parque Alvorada, viadutos, cemitérios, Avenida Coronel Ponciano, Atacadão, Praça Cinquentenário, Mão do Braz, UPA, Câmara Municipal e o shopping da cidade.

De acordo com o relato encaminhado à reportagem, os profissionais vêm se manifestando diariamente contra o que classificam como uma licitação “desnecessária” dos serviços de urgência e emergência da UPA e do Hospital da Vida. Segundo a denúncia, o processo licitatório, com valores considerados baixos, teria provocado o afastamento de mais de 50 profissionais experientes.

Ainda conforme o relato, muitos desses médicos atuavam na chamada “Área Vermelha”, responsável pelos atendimentos mais graves de toda a região. Com a saída desses profissionais, a denúncia aponta que os postos estariam sendo ocupados por médicos recém-formados, sem experiência prévia em pronto-socorro.

Histórico de problemas na Funsaud

A situação reacende discussões sobre a gestão da Fundação de Saúde de Dourados (Funsaud), responsável pela administração das unidades. Desde sua criação, ainda na gestão do ex-prefeito Murilo Zauith, a fundação enfrenta dificuldades estruturais e financeiras.

Os problemas persistiram nas administrações seguintes, incluindo a da ex-prefeita Délia Razuk e do ex-prefeito Alan Guedes, período em que, segundo avaliações recorrentes, as fragilidades da fundação se tornaram ainda mais evidentes.

Dívida milionária e auditoria

Antes mesmo de completar 10 dias de gestão, o atual prefeito Marçal Filho (PSDB) já se deparou com o que classificou como um problema crônico na saúde pública do município. A Funsaud acumula dívidas que podem ultrapassar R$ 90 milhões, impactando diretamente o funcionamento do Hospital da Vida e da UPA.

Dados apresentados pelo Conselho Curador indicam que, em 2023, as contas da fundação foram fechadas com saldo negativo de R$ 79 milhões. Para 2024, a estimativa é de que o déficit ultrapasse a marca dos R$ 90 milhões. Desse total, cerca de 70% corresponde a dívidas tributárias.

Diante do cenário, a atual gestão municipal determinou a realização de uma auditoria independente para apurar a real situação financeira da fundação. Segundo o prefeito, a medida é essencial para garantir transparência e embasar futuras decisões.

“Uma das primeiras medidas que tomaremos é fazer uma auditoria na Funsaud. Ninguém sabe exatamente qual é a situação. Só mesmo uma auditoria para esclarecer e permitir que possamos tomar atitudes”, declarou o chefe do Executivo.

Clima de incerteza

Enquanto a auditoria está em andamento, a manifestação dos médicos evidencia um clima de tensão e incerteza na rede pública de saúde de Dourados. A principal preocupação dos profissionais, segundo o relato, é a possível queda na qualidade do atendimento, especialmente nos casos de maior gravidade.

A reportagem segue acompanhando o caso, e tenta falar com a direção da Funsaud.

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