Médico volta ao Brasil com laudo inconclusivo
Caso Rebeca Gusmão – 24/12/2007
O médico José Blanco Herrera desembarcou neste domingo à noite no Brasil, vindo de Montreal, no Canadá, com um resultado ainda inconclusivo do caso de doping da nadadora Rebeca Gusmão. O cubano Blanco, especialista em doping, disse ao O Estado de S. Paulo, por telefone, ainda no aeroporto de Brasília, cidade onde mora, que após quatro dias e muita insistência conseguiu um laudo do laboratório Armand Frappier: “Tudo indica que acharam testosterona exógena na contraprova, mas disseram que o resultado não é conclusivo e será revisado e o processo tem uma série de irregularidades.”O mesmo laudo deve ser encaminhado à Federação Internacional de Natação (Fina) na quarta-feira. Mas o médico já prevê que o processo vá parar na Corte Arbitral de Esporte, em Lausanne (SUI).A pedido da Fina, Rebeca Gusmão fez um controle antidoping no dia 13 de julho, antes do início da natação no Pan do Rio, e a amostra A de urina, analisada no laboratório canadense, teve resultado positivo para testosterona exógena (que vem de fora do organismo). A abertura da contraprova foi marcada para o dia 18 de dezembro e o médico José Blanco Herrera foi ao Canadá como representante de Rebeca.”Eles começaram a análise na terça-feira e me disseram que na quarta à tarde poderia estar pronta. Ficou para quinta-feira, mas nesse dia os funcionários do laboratório tinham uma festa de confraternização. Esperei até sexta-feira. Não me ligaram até o meio-dia, eu bati na porta do laboratório. Queriam mandar o relatório por fax, mas insisti que não voltaria para o Brasil sem o laudo”, contou Blanco Herrera. “Recebi o laudo por pressão, mas ele diz que o resultado não é conclusivo.”Blanco Herrera disse que “nunca viu a abertura de uma contraprova assim” e atribuiu a demora, provavelmente, à mudança de sede do laboratório. Rebeca está suspensa provisoriamente desde novembro, quando foi divulgado o resultado da amostra A. Ainda responde a um segundo processo, também por testosterona, que está na CAS e será julgado em janeiro, referente a um controle feito em 2006. Se for condenada nos dois processos, poderá até ser banida da natação. Seu advogado, Breno Tannuri, não crê em condenação porque acha que o processo do laboratório canadense tem irregularidades.
Fonte: Estadão



