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Médico suspeito de produzir Mounjaro ilegalmente tem mais de 700 mil seguidores nas redes sociais

O médico Gabriel Almeida, dono do consultório Núcleo GA, foi alvo da Operação Slim, da Polícia Federal (PF), na última quinta-feira, 27. Ele é suspeito de envolvimento em uma quadrilha que fabrica ilegalmente o medicamento com princípio ativo a tirzepatida, conhecido como Mounjaro, usado no tratamento de diabetes e obesidade. 

Almeida é nascido da Bahia, e tem consultórios no bairro Jardim Europa, em São Paulo, capital, Salvador (BA), em Feira de Santana (BA) e Petrolina (PE). Nas redes sociais, o advogado Gamil Föppel, que faz a defesa do médico, afirmou que Gabriel não fabrica, não manipula e não rotula qualquer espécie de medicamento.

Além de ser médico, Almeida é palestrante e escritor, tendo publicado uma série de livros sobre emagrecimento nos últimos anos. Nas redes sociais, ele acumula mais de 700 mil seguidores.

Almeida ficou conhecido ao desembolsar R$ 450 mil para arrematar uma partida de pôquer com o jogador Neymar Jr, em junho de 2024. Depois de três meses, protagonizou uma discussão com o nutricionista Daniel Cady, marido de Ivete Sangalo, nas redes sociais.

Nas redes sociais, Gabriel Almeida compartilha publicações sobre o Mounjaro
Foto: Reprodução/Redes sociais

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Na ocasião, Almeida disse que Cady “precisava estudar” antes de falar sobre o uso de remédios como Mounjaro e Ozempic para emagrecer. O marido de Ivete havia chamado atenção para os efeitos colaterais desses medicamentos, e defendeu estratégias naturais para a perda de peso.

O médico rebateu comentários dizendo que a semaglutida, substância ativa do Ozempic, também é aprovada para tratamento de obesidade e sobrepeso.

Gabriel Almeida é também conhecido por ter pacientes famosos, como a dançarina Lore Improta e o cantor Leo Santana, Lívia Andrade e Scheila Carvalho.

De acordo com a PF, ele seria o principal responsável pelas clínicas e laboratórios que produziam a tirzepatida sem autorização. A Operação Slim apurou que os suspeitos manipulavam o princípio ativo do Mounjaro sem pagamento de patente e descumprindo regras sanitárias.

O produto era vendido, assim como o tratamento para emagrecimento, nas redes sociais do médico como se fosse uma atividade legalizada. Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro.

A investigação também apontou que o produto era vendido pela internet, sem qualquer controle de qualidade, esterilidade ou rastreabilidade, representando alto risco para os consumidores.

O que diz a defesa
“A Defesa Técnica do médico Dr. Gabriel Almeida, diante das notícias veiculadas na manhã desta quinta-feira (27) sobre a operação da Polícia Federal, vem a público restabelecer a verdade dos fatos e corrigir premissas equivocadas que têm pautado a cobertura inicial do caso.

  1. O Dr. Gabriel Almeida é médico, escritor e palestrante. Ele não fabrica, não manipula e não rotula qualquer espécie de medicamento. A acusação de que ele seria responsável pela produção de fármacos é fática e tecnicamente impossível, visto que sua atuação profissional se restringe, exclusivamente, à medicina clínica e à docência.
  2. A relação do Dr. Gabriel Almeida com a substância Tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) é estritamente científica e acadêmica. Em suas redes sociais, cursos e palestras, o médico exerce sua liberdade de cátedra para analisar, à luz de estudos internacionais, a farmacocinética da substância. O médico não faz propaganda de produtos ilegais; ele promove o debate técnico sobre as diferenças, vantagens e desvantagens entre a medicação de referência e as possibilidades da medicina personalizada (manipulados), sempre pautado na literatura médica vigente. Confundir debate científico com comércio ilegal é um erro grave de interpretação.
  3. Em momento algum a Polícia Federal ou o inquérito imputam a prática de “falsificação” ou “adulteração” de medicamentos a quem quer que seja. O objeto da investigação não é a qualidade ou a eficácia da substância, mas sim uma discussão jurídica sobre quebra de patente e direitos de propriedade intelectual do princípio ativo. Ou seja, a investigação em nada se relaciona com a saúde pública, mas tão somente com direitos patrimoniais de um fabricante.
  4. A manipulação da Tirzepatida está em conformidade com a Nota Técnica 200/2025/SEI/GIMED/GGFIS/DIRE4/ANVISA e com o art. 43, III, da Lei 9.279/96, atividade perfeitamente autorizada, legal e administrativamente.
  5. O Dr. Gabriel atua como prescritor. Cabe ao médico diagnosticar e indicar o tratamento; cabe ao paciente a livre escolha de onde adquirir sua medicação, e aos órgãos de fiscalização o controle sobre os laboratórios. Tentar responsabilizar o médico prescritor por supostas irregularidades de terceiros (farmácias ou laboratórios) é uma violação da lógica jurídica e da responsabilidade individual.
  6. O Dr. Gabriel Almeida recebe com surpresa as medidas cautelares, visto que sua conduta sempre foi pública e transparente. Ele possui endereço fixo, atividade lícita reconhecida e está à inteira disposição da Polícia Federal e da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários, certo de que, ao final das investigações, sua idoneidade e inocência serão cabalmente comprovadas.
  7. Movido pela absoluta certeza de sua inocência e pelo desejo de contribuir com as investigações, o Dr. Gabriel Almeida está adotando postura de total colaboração, realizando a entrega voluntária de seus telefones celulares e computadores à Polícia Federal para perícia técnica.
  8. A investigação se limitou a dar cumprimento a um mandado de busca e apreensão, sem qualquer tipo de restrição à liberdade do Dr. Gabriel Almeida.

A defesa lamenta o julgamento midiático antecipado, sem que tivesse sido oportunizado qualquer esclarecimento, e reitera que a medicina praticada pelo Dr. Gabriel Almeida sempre teve como foco absoluto a saúde e o bem-estar de seus pacientes”.

(Informações Portal Terra)

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