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Marcelo Mourão: ‘Ari Artuzi fez o Anel Viário Norte. Quem fará o Anel Viário Sul?’

Marcelo Mourão (*)

Dourados cresceu. Cresceu para os lados, cresceu para dentro e, principalmente, cresceu sobre rodovias que antes eram contornos e hoje são avenidas improvisadas. Trechos da BR-163, da BR-463 e da MS-156 foram, na prática, incorporados ao tecido urbano. O problema é que o desenho viário da cidade continua sendo o de uma Dourados de décadas atrás.

Nosso fluxo urbano é predominantemente leste–oeste. Porém, o tráfego pesado de carretas, caminhões, veículos de carga que cortam o Brasil atravessa a cidade pelo meio. A rodovia que deveria contornar virou eixo central. O resultado está diante de todos: congestionamentos, acidentes, bairros divididos por pistas perigosas e uma sensação permanente de insegurança para quem precisa atravessar essas vias diariamente.

O protesto recente, com bloqueio da BR-163 entre as sitiocas Campo Belo e Campina Verde, sentido Embrapa, é sintoma. É legítimo na indignação. Mas também revela o esgotamento de um modelo urbano que não acompanhou o ritmo do crescimento. A cidade avançou; a infraestrutura não.

Não se resolve uma dor causando outras dores. Quando uma rodovia é bloqueada, quem está vindo de fora, quem depende da estrada para trabalhar, quem precisa chegar a tempo em um compromisso, também sofre. O direito de ir e vir é tensionado por um problema que deveria ter sido enfrentado no planejamento público, não na emergência.

A solução estrutural tem nome: Anel Viário Sul – Perimetral Sul.

Estamos falando de aproximadamente 30 quilômetros de um novo traçado que retire o trânsito pesado do miolo urbano. Um anel que já deve nascer duplicado. Não como obra paliativa, mas como eixo estruturante para os próximos 30 anos. Um projeto que permita que os atuais trechos urbanos da BR-163, BR-463 e MS-156 sejam definitivamente transformados em avenidas municipais de padrão elevado: iluminadas, com pistas marginais, travessias seguras e acesso digno aos bairros.

Isso não é apenas engenharia viária. É política pública de longo prazo.

A Prefeitura precisa puxar a fila. O prefeito deve assumir o protagonismo técnico e político dessa pauta. Aproveitar que há alinhamento com o Governo do Estado, comandado por Eduardo Riedel, e esse alinhamento precisa sair do campo institucional e entrar no campo das obras estruturantes. Especialmente em um ano eleitoral que compromissos claros com a cidade se tornam ainda mais necessários.

O Anel Viário Sul resolve múltiplos problemas de uma vez:

  • Retira o tráfego pesado da área urbana consolidada;
  • Reduz acidentes e conflitos viários;
  • Permite a requalificação das antigas rodovias como avenidas urbanas completas;
  • Valoriza áreas hoje marginalizadas pelo traçado rodoviário e são várias;
  • Planeja Dourados para um horizonte de três décadas.

O que não resolve é o espetáculo.

Subir em caminhões, fazer vídeos inflamados, capturar o momento. E não apresentar projetos executivos, não discutir traçado, custo, fonte de financiamento, cronograma, impacto ambiental, desafetação, desapropriações necessárias. A política do vídeo curto não substitui o compromisso com a engenharia do futuro.

Dourados precisa sair da lógica do improviso. O crescimento urbano exige planejamento técnico, pactuação institucional e coragem política. Não basta denunciar o problema; é preciso liderar a solução.

O Anel Viário Sul não é apenas uma avenida nova. É uma decisão estratégica sobre que cidade queremos ser. Uma cidade que reage a cada crise ou uma cidade que antecipa o seu próprio desenvolvimento?

Estou convencido de que essa é uma pauta urgente. Não por vaidade, não por disputa política, mas por responsabilidade histórica. Pensar Dourados 30; 40; 50 anos à frente exige enfrentar temas complexos agora. O Prefeito Ari Artuzi fez o Anel Viário Norte. Quem fará o Anel Viário Sul?

Pensemos e façamos …

(*) É vereador (PL)  

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