Marçal não sabe, mas Rinaldo já decidiu sair do PSDB

José Henrique Marques –

O deputado estadual Marçal Filho e seu estafe político acompanham atentamente a movimentação de mandatários com a abertura, na quinta-feira (03), da janela partidária. Dependendo da configuração, ele pode deixar o PSDB para viabilizar sua reeleição e manter latente a pretensão de ser prefeito de Dourados.

Ontem à noite (04), ao ser indagado sobre essa possibilidade, Marçal foi lacônico: “Tudo pode acontecer até 1º de abril quando termina o prazo”.

A janela partidária está prevista na Lei dos Partidos Políticos (artigo 22-A da Lei 9.096/1995) e faz parte do Calendário Eleitoral. Trata-se de um instrumento onde as deputadas e os deputados federais ou estaduais podem trocar de partido [no prazo estabelecido] sem perder o mandato por infidelidade partidária.

Partido do governador Reinaldo Azambuja, o PSDB tem por enquanto uma bancada com cinco deputados estaduais: além de Marçal Filho, Mara Caseiro, Paulo Corrêa, Felipe Orro e Rinaldo Modesto.

Mas, neste sábado (05), Orro se filia ao PSD do prefeito de Campo Grande e pré-candidato ao Governo, Marquinhos Trad, e Rinaldo deve acompanhar a deputada federal Rose Modesto (PSDB), que é sua irmã e também pré-candidata à sucessão de Reinaldo Azambuja, ao União Brasil (UB).

Especula-se que a bancada de cinco deputados do PSDB pode ser reposta com chegada dos democratas Zé Teixeira e Barbosinha que, descontentes com fusão entre o DEM e o PSL que originou o UB, já anunciaram que buscarão nova legenda.

O problema de Marçal Filho é que Zé Teixeira e Barbosinha são de Dourados e uma vez reeleitos terão cacife político para postular e interferir no processo eleitoral de 2024, quando estará em jogo a cadeira do prefeito Alan Guedes. Por hora, ele já tem no partido a concorrência de outra liderança que sonha com a Prefeitura de Dourados: Geraldo Resende, que se conquistar mandato em 02 de outubro entrará na parada.

E há outro componente nesse jogo que incomoda Marçal Filho: o convite de cabeças coroadas para que a vereadora Lia Nogueira também se filie ao PSDB.

A jornalista Lia Nogueira é tida como novo fenômeno eleitoral de Dourados. É o que demonstra as pesquisas internas dos partidos. Embora eleita pela mesma legenda de Alan Guedes, o PP, a vereadora não faz ouvidos moucos a inepta administração do jovem prefeito, que já coleciona várias denúncias de improbidade no Ministério Público. Ela é a principal opositora dele na Câmara de Vereadores.

Autora da denúncia da “farra da publicidade”, que teria existido quando Alan Guedes presidiu a Câmara, de 2019 a 2020, Lia Nogueira estaria sendo perseguida sistematicamente pelo grupo do prefeito e, teria, segundo vários juristas, elementos suficientes para deixar o partido sem perder o mandato, já que a janela partidária beneficia somente deputados e deputadas.

Popular nas redes sociais, Lia Nogueira vem sendo instigada a enfrentar Alan Guedes em 2024. E ela não esconde de ninguém que deseja medir forças num embate final com o prefeito. E no PSDB torna-se mais uma pedra no sapato de Marçal Filho.

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