Manobras em cena e medo no ar no 11º Moto Road
Radical – 24/05/2008
Um dedo e um braço quebrados já são os primeiros saldos do desejo de Weverton da Silva Pinheiro, 9 anos, de ser mociclista freestyle. Ele ainda não conseguiu pilotar uma moto, mas é sob a bicicleta que o garoto apresenta as primeiras características dos amantes deste esporte radical, persistência, coragem e entusiasmo. “Vou ser como ele”, afirma enquanto acompanha as manobras do piloto Gilmar Flores, 27 anos, o Joaninha, que se apresenta na 11ª edição do Moto Road, no Parque Laucídio Coelho.
O piloto, considerado um dos dez melhores do mundo nesta modalidade, e Weverton têm em comum a timidez e a inquietação. Quando Joaninha voa sobre uma motocicleta YZ 250 cilindradas, consegue arrancar o fôlego do público e teimar com a lei da gravidade que o coloca de volta ao chão. Ele cai sim, mas com estilo.
Além do apelido, nada em Joaninha está no diminutivo. Sobre uma estrutura de metal de 4 metros, ele recebe um impulso para saltar 10 metros de altura a uma distância de 23 metros. Enquanto a moto se mantém a uma velocidade de 50 quilômetros por hora, o piloto manobra a moto e a deixa de cabeça para baixo. É de engasgar. Para manter o público atônito, Joaninha desafia outro piloto, o colombiano Sebastian Mejia, 23 anos, que admite: “Ele (o Joaninha) é bem melhor que eu”.
Investimento – Sebastian explica que atuar como Joaninha depende de muito treino e investimento. As manobras são ensaiadas em uma piscina de espuma em que o custo médio chega a US$ 15 mil. A motocicleta usada não sai por menos de US$ 20 mil. Quanto ao tempo, Joaninha treina há 9 anos, Mejia está há 4 no circuito.
Os pilotos são uma espécie de ápice representativo do motociclismo. Se exibem também para uma platéia de motociclistas, mas daqueles que preferem ficar no chão. “Nossa, nem dá para falar, precisa muita coragem”, define o empresário Rogério Carvalho, 28 anos.
Ele saiu do Mato Grosso para prestigiar o Moto Road, evento que lhe suscitava curiosidades. Maria dos Remédios, 38 anos, mora em Coxim e viajou 266 quilômetros até Campo Grande para participar da festa. Olhar para Joaninha lhe despertou ansiedade e, confessa, medo.
Como o tempo passa, um dia Joaninha e Sebastian sairão de cena e no lugar deles estarão meninos como Eduardo Matheus Rodrigues, 10 anos. Menino elétrico que ainda usa a bicicleta para brigar com as leis da Física. “Eu já caí bastante, mas isso passa e tento de novo”. Foi da mesma forma que Gilmar Flores aprendeu. “Treinando e olhando”, conta.
Fonte: Campo Grande News



