Manifesto público de perdão cristão em tempos de ódio e morte
21/12/2019 11h17 – Por: Folha de Dourados
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Brígido Ibanhes – www.brigidoibanhes.blogspot.com.br
Na noite de 14 de maio de 2006, sofri, junto com a esposa, um violento atentado a bomba incendiário na sala da casa na Vila Planalto, em Dourados MS. Naquela tarde o Dourados News publicou um artigo em que eu me referia aos tempos em que fui fiscal da Rural do Banco do Brasil e havia denunciado o desvio de milhões do Proagro (o seguro agrícola) feita por lideranças ruralistas em prejuízo dos pequenos e médios agricultores que tinham o direito de receber a indenização, mas que acabaram não recebendo. Não vou entrar em detalhes, mas quem quiser saber mais procure o meu livro “ÉTICA NA POLÍTICA – entre o sonho e a realidade” e vai saber que por anos lutei em defesa dos pequenos e médios agricultores. Eles, porém, não sabem disso porque os “patrões” corruptos e perversos não permitiram a divulga-ção dos fatos. O deputado estadual G.G.J foi com capangas e uma mala de dinheiro e com-prou o artigo que ia ser publicado pelo Diário da Serra, em Campo Grande. Pela coragem do jornalista E.M., o artigo foi publicado na Folha de Londrina.
No atentado, que foi em represália pelo artigo publicado, minha esposa sofreu graves quei-maduras nas mãos e eu nos pés, que deixaram indeléveis sequelas e de que até hoje sofro consequências. Sou de família cristã, e sei que Deus não permitiu que aquele fogo criminoso nos consumisse; Ele nos cobriu com seu manto e nos trouxe até aqui.
Tenho convicção de que foi você, que está se debatendo com uma doença grave, o responsável por esse ato de terrorismo, pois, ao entender que não morri, correu para um jornal e soltou um artigo para me desqualificar e usar o artigo como atenuante. Mas, hoje, quero lhe dizer, senhor político, que Jesus tocou o meu coração e que LHE PERDOO DE TODO O MEU CORAÇÃO, e lhe desejo melhoras e que, antes de partir para prestar contas a Deus, seja alcançado pela misericórdia divina e se concilie com seu Criador. Jesus Cristo pregou primei-ro o amor incondicional a Deus e depois o amor ao próximo assim como Ele nos amou. Ele perdoou seus algozes, por que eu não perdoaria o senhor?
PERDOO também ao senhor do sindicato e ex-político G.F. que orientou a execução do crime; perdoo ao delegado J.R.B., ao promotor J.L.J., aquele pelo descaso nas investigações e este porque se negou a ouvir, juntamente com o delegado citado, o depoimento de uma importante testemunha; perdoo ao mesmo promotor porque orientou o arquivamento do in-quérito policial em represália por eu ter representado contra si no Conselho Nacional do Mi-nistério Público. Perdoo aos senhores procuradores de justiça do Estado, aos procuradores da República, aos secretários de justiça e a todos os outros que não desempenharam seu ser-viço a contento na apuração dos fatos. Entendo o quanto estava além das suas forças e dos seus brios contrariar o “chefão”, e que isso, não só lhes traria ojeriza da sua parte, mas prejuí-zo nas promoções e carreiras. Perdoo aos agentes M.V.S.A e P.R.S que tentaram me desqua-lificar perante a Comissão Internacional de Direitos Humanos, mas a verdade foi restabeleci-da logo depois; Deus sempre é fiel. Por fim, perdoo a você, T. do L. P. G. de R., por aceitar participar da fraude do depoimento que prestou por carta-precatória.
Da mesma forma peço perdão aos meus familiares que muitas vezes se angustiaram por conta da minha luta contra a corrupção política, pela cidadania e pelos direitos humanos do povo mais humilde, e pelas minorias tão injustiçadas.
Que o Senhor abençoe a todos. Fiquem na Paz.




