‘Mãe ou a madrasta?’, por Pe. Crispim
Artigo – 10/09/2008
Há muito ouço dizer: “por que a Igreja não está na Universidade, por que não vai a tantos lugares?” De fato, são questionamentos interessantes, seria muito importante a presença mais efetiva da Igreja nos diversos ambientes, todavia, e isto é o mais intrigante, geralmente são os católicos que perguntam e que na maioria das vezes trabalham e estudam nestes lugares.
Por que me assombro com tais perguntas? É evidente que fico perplexo porque os batizados esqueceram que eles são Igreja, não se pode esperar que o número reduzido de eclesiásticos realize o papel que cabe a cada um dos cristãos. Ora, se estou num ambiente onde a Igreja é “malhada”, não devo esperar o bispo ou outro membro da hierarquia se manifestar, ou sou Igreja ou não sou, tenho mãe ou tenho madrasta. Assim, temos acompanhado alguns católicos que não tomam posição quando vêem a sua “mãe” sendo motivo de chacota nos mais diversos lugares e que são até capazes de malhar juntos.
Onde está o erro destas posições? Na Igreja? Nos fiéis? Bem, sejamos justos, a própria Igreja tem seus erros, afinal ela é constituída de muitas pessoas, homens e mulheres, com ministérios bem definidos, os leigos – a grande, não devem imaginar que não são nada só porque não têm o sacramento da ordem. Por outro lado, existe uma má formação quando leva muitos fiéis a imaginar que prestam um favor por participarem dela.
Afinal, é um favor ser católico? Não seria o contrário? A Igreja não subsiste pelo quantitativo, mas pelo qualitativo. Adianta-nos uma multidão, que não tem nem coragem de dizer que é católica, que acha bonito a doação de Jesus na Cruz, mas que não quer se comprometer com a sua própria cruz?
O fato é, somos católicos até onde os nossos interesses não são questionados, interesses não só financeiros, mas os mais variados possíveis. Uma hora achamos a desculpa de acusar a Igreja por causa do aborto, outra por causa do divórcio, outra dos pobres ou dos ricos, parece que o importante é achar um culpado: a Igreja, e não assumir a responsabilidade de ser filho, de se comportar como tal.
Queremos uma Igreja que não diga nada, aliás, que diga uma palavra: amém. A hierarquia não pode seguir o que diz a Palavra de Deus, segundo alguns que se dizem católicos, deve sim, para agradar a todos mudar de conversa a cada instante que um grupo se sente ofendido.
Dói para uma liderança da hierarquia ver uma multidão que vai na fila da comunhão, mas que na hora de provar que é católica se acovarda, corre ou fica escondida, achando as justificativas mais espantosas para não assumir seu papel. Também é doloroso quando tratam a Igreja como uma empresa que vai perder os clientes que pagam, perdendo os dizimistas. Parece até, que a razão de ser da comunidade cristã é o dízimo e não Jesus Cristo.
Na lógica do mercado, as pessoas pensam que a Igreja deixaria de existir se não oferecessem estas coisas, que são necessárias, mas que nem de longe representam a primeira, porque a primeira é o testemunho de adesão a Cristo e a seu Reino.
Nossa Igreja não quer o bem de uns e o mal dos outros, só quem pensa assim é quem não conhece sua mãe, se a conhecesse saberia que sua missão é buscar a paz e que esta, como bem afirmou o bispo diocesano de Dourados, Dom Redovino, é fruto da justiça.
Jesus mesmo diz: “se vocês não derem testemunho de mim, não serei testemunha de vocês diante de Deus”, portanto quem dele se envergonha o que dele pode esperar?.
Pe. Crispim Guimarães
Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados
Fonte: Folha de Dourados



