Redação –
Uma mãe de 30 anos denunciou uma situação vivenciada na manhã desta terça-feira (13) durante a vacinação do filho, de apenas três meses, em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Campo Grande. Segundo o relato, ela foi impedida de amamentar o bebê durante a aplicação da vacina, apesar de afirmar que a prática é segura e recomendada por órgãos oficiais de saúde.
De acordo com Paola Ibarra, o caso ocorreu na UBS Mata do Jacinto. Ela contou que chegou à unidade já preparada para amamentar o filho no momento da vacinação, prática conhecida como mamanalgesia, utilizada para reduzir a dor, o choro e o estresse do bebê. No entanto, a profissional responsável pelo procedimento informou que não permitiria a amamentação e exigiu que a criança fosse colocada deitada na maca.
A mãe afirmou que questionou a orientação e explicou que a amamentação durante a vacinação é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde, constando inclusive na caderneta da criança. Mesmo assim, segundo ela, a profissional se recusou a permitir o procedimento, alegando que “ali eles não fazem esse tipo de coisa”.
Indignada, Paola disse que afirmou à enfermeira que a proibição violava um direito garantido e que denunciaria a situação. Diante disso, foi orientada a procurar a gerência da unidade. Ainda conforme o relato, o gerente informou que não conhecia o termo mamanalgesia e precisou pesquisar na internet para confirmar que a prática existe e é recomendada.
Apesar de reconhecer a orientação oficial, o gerente teria informado que não poderia obrigar a profissional a permitir a amamentação durante a vacinação. Para a mãe, a resposta demonstra despreparo e falta de atualização da equipe de saúde.
“Se é seguro, científico e recomendado, por que ainda é negado? Me impediram de fazer o que toda mãe faz por instinto, que é acolher o filho no peito”, desabafou. Paola classificou a situação como desumana e afirmou que negar esse direito fere o cuidado básico que toda criança merece.
Nota da prefeitura
A Secretaria Municipal de Saúde se pronunciou por meio de nota e informou que a mamanalgesia é uma prática recomendada desde 2015 pela OMS e pelo Ministério da Saúde, sendo reconhecida como uma estratégia eficaz para a redução da dor durante a administração de vacinas injetáveis em recém-nascidos, bebês e crianças.
No entanto, segundo a pasta, em situações específicas, visando à segurança da criança, é necessário garantir o posicionamento adequado na maca para que a dose seja aplicada corretamente na região indicada da perna. A medida tem como objetivo assegurar a aplicação segura do imunizante e prevenir possíveis eventos adversos decorrentes de uma aplicação inadequada.
Ainda conforme a nota, nesses casos, o vacinador pode orientar a mãe a interromper brevemente a amamentação no momento da aplicação. Logo após a vacinação, a criança retorna ao colo materno, podendo retomar imediatamente a amamentação, que contribui para o conforto e para a analgesia no período pós-procedimento.

