Mãe de brasileira impedida de entrar na Espanha afirma que filha sofreu preconceito
Brasil – 07/03/2008
Os 30 brasileiros impedidos de entrar na Espanha na última terça-feira (4) foram deportados por preconceito, avalia Jucineide Rangel, mãe da estudante Patrícia Rangel, que fazia parte do grupo. Ela diz que aguarda com ansiedade o retorno da filha, previsto para hoje (7).
“O grupo que ela estava era heterogêneo. Tinha pessoas com criança no colo, gente que já morava na Espanha e que veio ao Brasil visitar parente, gente que tinha dupla nacionalidade. A única coisa que ela [a polícia espanhola] focalizou é que eram brasileiros, latinos e marroquinos. Detectou gente que eles consideram menores”, afirmou Jucineide hoje em entrevista à Rádio Nacional.
Segundo informações fornecidas por Patrícia à mãe, por telefone, o governo espanhol tem grande preocupação com o número de turistas sul-americanos que chega ao país para trabalhar, especialmente com os casos de prostituição.
“Esse pessoal vem clandestino. Eles não podiam falar nada disso dela. A Patrícia faz mestrado no Brasil, trabalha em estágio remunerado. Não podiam dizer ‘essa menina veio se prostituir ou tirar o nosso emprego’. Talvez, se eles tivessem analisado bem esses detalhes, nem tivessem barrado eles.”
Jucineide conta que a filha permaneceu “amedrontada” durante todo o tempo em que foi mantida em uma pequena sala do aeroporto de Madri, assim que desembarcou no país. Segundo o relato da filha à mãe, Patrícia chorava muito e ficou sem comer e beber durante grande parte do primeiro dia, além de ter tido seus pertences levados pela polícia espanhola.
“Até o antibiótico foi retirado dela. Ela interrompeu o tratamento. [A sala] não tem grade, mas tem alojamento, já é preparada para quem vai ficar retido no aeroporto. Ela estava sem banho, sem escovar os dentes, sem lavar o rosto desde o dia que ela viajou.”
O grupo de brasileiros saiu do Rio de Janeiro na última terça-feira, mas, no caso de Patrícia e de um colega que a acompanhava, o destino final era a cidade de Lisboa, em Portugal, onde fariam uma apresentação em um congresso.
“Ela é graduada em relações internacionais e agora faz mestrado em ciências políticas. Portugal, todo ano, faz um congresso sobre ciências políticas. Ela foi convidada pelo governo de Lisboa a apresentar a tese de mestrado. Iria apresentar ontem pela manhã no congresso.”
Jucineide considerou positiva a atitude do governo brasileiro em relação ao governo espanhol, mas acredita que é preciso fazer mais.
“Por enquanto, estou até gostando um pouco da atitude [do governo brasileiro] porque parece que ele está se revoltando, pedindo satisfação ao governo espanhol. Um cônsul até ligou dizendo para a gente não se preocupar que eles já estariam tomando providências. Acho que eles agiram, mas não adiantou nada, porque o preconceito, pelo que minha filha falou, é contra brasileiro.”
A mãe destacou ainda que pretende aguardar a chegada de Patrícia para compreender melhor os detalhes em relação ao tratamento recebido enquanto foi mantida na Espanha, mas não descarta a possibilidade de mover uma ação na justiça contra o governo espanhol. Segundo ela, os pré-requisitos exigidos pelo país estavam em dia e não havia razão para a sua filha ser barrada.
“Eles têm o comprovante de confirmação do congresso que iriam participar, têm toda a documentação. Ela tem o seguro saúde, que é obrigatório, está levando a quantidade de euro diária que precisa, tem cartão de crédito internacional. Tudo que eles estão alegando é mentira. Até a passagem de ida e volta eu comprei junto com ela e fizemos a reserva do albergue.”
Jucineide Rangel disse que o último contato com a filha foi um telefonema na noite de ontem (6). Patrícia confirmou que seria deportada para o Brasil. O vôo saiu hoje (7) às 8h de Madri (meio-dia na Espanha).
Fonte: Agência Brasil



