Desde 1968 - Ano 56

29.9 C
Dourados

Desde 1968 - Ano 58

InícioEstadoLula vem a Campo Grande hoje abrir a COP15. Mas o que...

Lula vem a Campo Grande hoje abrir a COP15. Mas o que é COP15?

Tiago Botelho (*) –

O presidente Lula e cinco ministros chegam nesta tarde deste domingo (22) a Campo Grande para participar da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a chamada COP15.

A conferência reunirá representantes de mais de uma centena de países, além de cientistas, gestores públicos e organizações da sociedade civil, para discutir caminhos concretos de preservação da biodiversidade global, com foco nas espécies migratórias e nos ecossistemas que sustentam suas rotas.

A sigla COP significa Conferência das Partes, a instância máxima de decisão de acordos internacionais. Na COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, os países se reúnem para avaliar o estado de conservação dessas espécies, definir prioridades e pactuar ações conjuntas para protegê-las.

Na prática, é um espaço onde se constroem políticas globais para enfrentar problemas como a destruição de habitats, a exploração predatória e os impactos das mudanças climáticas sobre a fauna.

A COP15 trata das espécies migratórias, animais que se deslocam periodicamente entre diferentes regiões do planeta em busca de alimento, reprodução ou condições ambientais adequadas.

Esses deslocamentos podem atravessar continentes e oceanos, como ocorre com aves, peixes, mamíferos e até insetos. Para a convenção, uma espécie migratória é aquela que cruza fronteiras entre países ao longo do seu ciclo de vida, o que torna sua proteção um desafio coletivo.

Esses animais desempenham funções essenciais para o equilíbrio ecológico. Contribuem para a polinização, dispersão de sementes e transporte de nutrientes entre ambientes. Além disso, são importantes indicadores da saúde ambiental: alterações em suas rotas ou populações costumam sinalizar desequilíbrios nos ecossistemas.

Atualmente, muitas dessas espécies enfrentam ameaças como a perda de habitat, a fragmentação de áreas naturais e a exploração excessiva. Esse cenário reforça a urgência de ações coordenadas entre os países.

A escolha de MS como sede não é apenas logística, mas também política e simbólica. O Brasil abriga alguns dos biomas mais ricos do planeta, e o Pantanal é uma das regiões mais estratégicas para a biodiversidade mundial.

Ao trazer a COP15 para o estado, o presidente Lula reforça a importância de colocar o interior do país no centro das decisões globais e valorizar territórios fundamentais para o equilíbrio ambiental. Assim como levou a COP30 para Belém, agora o país volta os olhos para Campo Grande.

A decisão de realizar a conferência no coração do Pantanal sul-mato-grossense é altamente simbólica. Ela reconhece a potência ambiental da região e mostra que o futuro da agenda climática e da biodiversidade passa, necessariamente, por territórios que historicamente ficaram à margem dos grandes centros de decisão.

Além de sediar o encontro, o Brasil assume papel de liderança nas negociações internacionais sobre biodiversidade. A realização da COP15 coloca o país, e especialmente Mato Grosso do Sul, no centro das atenções globais.

Durante a semana, o debate internacional deve apontar caminhos para conciliar desenvolvimento e preservação, com foco na proteção das espécies migratórias e na manutenção de seus habitats e rotas.

Mais do que um encontro técnico, a COP15 representa uma oportunidade de construir soluções para um dos maiores desafios do nosso tempo: garantir a sobrevivência das espécies e o equilíbrio dos ecossistemas.

Ao sediar o evento em Campo Grande, o Brasil envia ao mundo uma mensagem clara: proteger a biodiversidade também significa reconhecer a força do interior e o papel estratégico de biomas como o Pantanal no futuro do planeta. Enquanto sul-mato-grossense, nascido em Ivinhema, agradeço ao presidente Lula por colocar o Estado em protagonismo. Se queremos proteger o meio ambiente, precisamos ouvir e valorizar os territórios onde a natureza ainda pulsa com força. Como ensinou Manoel de Barros é no “chão das coisas pequenas” que mora a grandeza do mundo e é desse chão, do interior profundo, do Pantanal que podem surgir as respostas para os desafios ambientais do nosso tempo.

(*) Advogado, professor do curso de direito da UFGD e superintendente do Patrimônio da União no MS.

- Publicidade -

MAIS LIDAS