Pular para o conteúdo
Sexta-feira, 6 de novembro de 2026 Dourados 26 °C

Desde 1968 Ano 58

Desde 1968 · Ano 58

Agora
Arquivo

Lula, FHC e os cartões

Leia artigo: Lula, FHC e os cartões

Leia artigo – 28/03/2008

A farra dos cartões de crédito do governo já proporcionou a montagem de uma CPI, que poderá terminar tão desmoralizada quanto as anteriores (do mensalão e dos sanguessugas), a reprovável produção de um “dossiê” e está dando oportunidade para os demagógicos e oportunistas deflagrarem muito antes do tempo a corrida sucessória de 2010. Ao mesmo tempo em que o temeroso governo Lula ameaça retroceder nas apurações de supostos abusos para o tempo do governo FHC, e este, festivamente, abre o sigilo, os aliados e adversários proporcionam um espetáculo circense que, talvez, tenha só o objetivo estratégico de desviar a atenção do povo.
Todos os governos – federal, estaduais e municipais – têm o dever ético e moral de manter a prestação de contas de suas despesas inteiramente ao alcance de qualquer um do povo que tenha interesse em examiná-la. Até os gastos com segurança devem ser expostos transparentemente, sem a necessidade da exibição de detalhes operacionais, apenas estes sigilosos. O povo, dono dessa suada montanha de dinheiro carreada para a manutenção da máquina pública e das mordomias, tem o direito de saber o quanto e como se gasta.
Se sua democracia não estiver só no discurso, o presidente Lula deve providenciar, urgentemente, a disponiblização na internet e em outros meios públicos, de todo o quadro de gastos ditos sigilosos do seu governo. Assim procedendo, não estará fazendo mais do que sua obrigação, da mesma forma que FHC não acrescenta qualquer mérito ou virtude com sua decisão de autorizar a abertura das contas do seu período. Só está cumprindo uma obrigação que é de todo homem público.

            Todo o escândalo e o desgaste dos castões de crédito teriam sido evitados se a transparência já fosse obrigatória nos gastos governamentais. A certeza de ter seus atos acessíveis à população evitaria que ministros e funcionários detentores de acesso à conta pública a utilizassem para pagar despesas em “free-shop”, bares da noite, tapioca e tantas outras coisas lesivas à administração, além de sacar as inexplicáveis e elevadas somas de dinheiro vivo na boca do caixa.
            Governantes e funcionários públicos precisam aceitar o raciocínio de que se encontram nas funções para servir à Nação e não dela se servir. Ninguém deveria ter direito a moradia funcional, usar carro oficial fora do trabalho e muito menos pagar com dinheiro público as despesas que qualquer contribuinte paga do próprio bolso.
            Os exageros cometidos pelos políticos e seus circundantes são os grandes responsáveis pela má imagem (e até o nojo) que a classe chega a despertar no povo, esse eterno explorado e passado para trás. Algo urgente tem de ser feito para mudar…
 
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

[email protected]                                                           

Fonte: Folha de Dourados

Anuncie na Folha de Dourados

Desde 1968 informando Dourados e a Grande Dourados.

Fale com o comercial