Leite era batizado até com soda cáustica
País – 23/10/2007
A Polícia Federal prendeu ontem 26 pessoas – 17 em Uberaba e nove em Passos, ambas em Minas Gerais – suspeitas de integrar um grupo que adulterava 10% do leite produzido com água ou soro, soda cáustica, peróxido de hidrogênio, ácido cítrico, citrato de sódio, sal e açúcar. A operação, denominada Ouro Branco, contou com a participação de integrantes dos ministérios públicos Estadual e Federal.
Estão envolvidas na fraude, segundo a Polícia Federal, as cooperativas Coopervale (Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande) e Casmil (Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro). De acordo com a PF, os responsáveis pela Coopervale e pela Casmil, que estão entre os presos, admitiram a fraude no leite.
As cooperativas são acusadas de “batizar” o leite longa vida com essas substâncias que aumentavam seu volume e disfarçavam suas más condições de conservação. As duas cooperativas, cuja produção diária estimada é, de 400 mil litros de leite, cometiam a fraude havia pelo menos dois anos. Ainda segundo a PF, os funcionários das cooperativas disseram que eram ameaçados de demissão para realizar a mistura.
A Parmalat e a Calu (Cooperativa Agropecuária Ltda. de Uberlândia) estariam entre os compradores de leite dessas indústrias. Em nota, a Parmalat negou as informações da Polícia Federal e disse que “não adquire produtos processados, envasados ou embalados nas fábricas da Casmil e da Coopervale.
De acordo com o Ministério Público (MP) em Uberaba, a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor já determinou a interdição cautelar da Coopervale e a apresentação do leite integral longa vida UHT das marcas Centenário, Parmalat e Calu, encontrado na fábrica e no mercado revendedor da região.
Segundo informações do Correio do Estado, durante a operação, foi preso um funcionário do Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura do município de Passos, responsável por fiscalizar a qualidade do produto.
Fonte: Folha de Dourados



