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Editorial – 10/09/2007
Balcão de negócios na Saúde
As evidências de que o Hospital Universitário de Dourados foi lesado em R$ 13 milhões pelo governo estadual passado são estarrecedoras. É muito dinheiro que não chegou naquele que é o maior hospital do interior de Mato Grosso Sul e que atende algo em torno de 800 mil pessoas de 37 municípios da região sul do Estado. Era verba carimbada através de convênios e, pasmem, de licitações públicas. Essas já são as conclusões preliminares de auditores do Tribunal de Contas da União, Ministério Público e Tribunal de Justiça do Estado. Foi a folha de dourados quem primeiro noticiou esse escândalo.
Os auditores suspeitam também que cerca de R$ 2,2 milhões em equipamentos e instrumentos cirúrgicos desviados do HU foram parar em hospitais de Campo Grande, Dourados e Fátima do Sul e de outros municípios da região. Aparentemente, essa operação irregular, patrocinada pela Secretaria de Estado da Saúde visou atender reivindicações de deputados estaduais da base aliada do antigo governo. É uma das faturas da tal governabilidade.
A farra com o dinheiro público bancada nos gabinetes da capital reflete-se, aqui, na base de referência regional do SUS, com a demanda reprimida de milhares de procedimentos hospitalares, que acentuam o sofrimento do povo levando, porque não, muita gente ao óbito ou a seqüelas irreversíveis.
A proposta original do SUS remetia a um dos melhores e espetaculares planos de saúde pública do mundo. Entretanto, passadas várias décadas desde sua criação, o que se constata hoje é um monstrengo desalmado que faz desdém da saúde alheia, do martírio físico das pessoas. Quem é usuário sabe que isso é verdade. Filas, péssimo atendimento, descaso, incompetência são coisas corriqueiras pra quem precisa do SUS.
A Saúde Pública clama há muito tempo por investimentos em equipamentos e instrumentos cirúrgicos e por uma melhor remuneração de todos os profissionais do setor. É esse clamor que deve ecoar entre a classe política e não interesses mesquinhos, cegos e indecorosos.
A sociedade sul-mato-grossense deve aguardar o relatório final dos auditores do TCU com muita serenidade e preocupação. Se confirmadas as denúncias deve exigir punição exemplar de todos os envolvidos. Afinal, fazer da saúde pública um balcão de negócios, ainda que político, e afrontar aquilo que o ser humano tem mais de valor: a vida.
Fonte: Folha de Dourados



