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Laquicho perde-se no mato

Opinião – 08/03/2008

Pelos causos já contados, o leitor deve ter notado que havia muito mato na região de Dourados.
“A rua Weimar Torres hoje, ela era a rua Rio Grande do Sul e mais propriamente conhecida dita, apelidada, como rua dos Velhacos, porque quem devia aqui nos comerciantes da ponta [da Av. Marcelino Pires] passava por ela e ia comprar fiado nos outros lados. Então o mato grosso mesmo da mata aqui começava a partir da rua Rio Grande do Sul e emendava aqui… ia até a costa do Paraná atravessando aí a zona da Colônia…” (Miguel Ângelo do Amaral)
 
Ercília de Oliveira Pompeu confirmou que a Avenida Weimar Torres, antigamente denominada Rio Grande do Sul, era conhecida por rua dos Velhacos, pelo motivo alegado por Miguel Ângelo do Amaral. Ela acrescentou que a atual Avenida Joaquim Teixeira Alves era conhecida como rua dos Sujos, porque as pessoas que vinham dos sítios, todas sujas, tinham vergonha de passar pela rua principal.
Mesmo com essas ruas abertas, o mato freqüentemente tomava conta dos lugares; abundavam os vassourais e os rebentões:
“Em 1935, 36, mais ou menos, o delegado Feliciano Benedeti, muito enérgico, muito bravo que era … prendia …aquele mundo de desordeiros… e punha para ir roçando esse vassoural, derrubando esse mato, para abrir Dourados…” (Ercília de Oliveira Pompeu)
 
Se na cidade era assim, imagine o leitor como eram as coisas nas zonas de mata fechada. Uma ocasião, Laquicho andava pelo mato, provavelmente em busca de madeira boa para um esteio, e se perdeu. Ficou três dias perdido, sem comer. Ele estava andando quando viu um pau arcado, torto, e um bichinho lá em cima. Ele se aproximou bem devagarinho. Era uma irara furando mel. E tinha um filhote atrás da irara, né? Quando faltava comida, a irarinha arranhava as costas da mãe; a mãe tirava o mel e passava pra trás. O que o Laquicho fez? Morto de fome, com todo o cuidado, pegou a irarinha pelo pescoço… e passou a arranhar as costas da irara que, movida pelo instinto maternal, lhe passava o mel. Depois de encher a barriga de mel, ele devolveu o filhote, e a mãe nem se deu conta dele. (Albino Moraes Sobrinho)
 

Fonte: Folha de Dourados

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