Kátia Abreu, por Waldir Guerra
Kátia Abreu, por Waldir Guerra
Opinião – 06/04/2009
Waldir Guerra *
A visita feita a Mato Grosso do Sul na semana passada pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO), na condição de presidente da poderosa CNA (Confederação Nacional da Agricultura) era tão somente para acalmar os ânimos dos produtores rurais quanto às propaladas demarcações da FUNAI, mas em Dourados, sua presença serviu para lançamento da candidatura ao Senado do vice-governador, Murilo Zauith.
O momento foi oportuno por dois motivos, o primeiro porque o governador André Puccinelli tem se manifestado por diversas vezes a respeito do assunto, ora citando o deputado Waldemir Moka, como candidato do PMDB, ora lançando o prefeito de Campo Grande, Nelson Trad e na semana passada concitou também a prefeita de Três Lagoas, Simone Tebet para que se candidate. Do vice-governador nunca disse nada. Por quê?
O segundo motivo é que a senadora Kátia Abreu poderá ser eleita presidente do Democratas nacional e aproveitou essa passagem por aqui para estimular o vice-governador para que se candidate a uma das duas vagas que serão disputadas no ano que vem para o Senado.
Para o Democratas foi um momento bom porque tirou da letargia em que se encontrava o presidente Regional do Partido e fez com que voltasse a se empolgar. Foi o que deu para perceber nesse evento. Aliás, o desejo de Murilo em conquistar uma das vagas no Senado Federal já é bem conhecido e foi muito bom vê-lo entusiasmado. Quem não lembra de sua insistência em concorrer ao cargo quando foi preterido por Marisa Serrano? Aceitou ser vice, mas agora volta à carga. E com isso obriga o governador a antecipar suas preferências nesse assunto.
E por que a cobrança em cima do governador? Porque André Puccinelli elegeu-se para o atual mandato tendo como vice Murilo, um político douradense. Assim fizeram quase todos os candidatos ao governo no passado; prestigiaram Dourados escolhendo um político daqui para o cargo de vice. Agora, não só Dourados, mas a região toda está exigindo uma das duas vagas – e saliente-se, vaga com apoio do governador – para colocar no Senado Federal um político da Grande Dourados. A vice é importante, sim, mas a região quer ser mais valorizada.
Quanto à senadora Kátia Abreu, é bom prestar atenção no seu currículo, pois vem vindo aí, em nível nacional, uma mulher competente. Como ela bem lembrou, é a primeira mulher a presidir uma Confederação Nacional de associações. E logo a mais masculina – pra não dizer a mais machista – de todas as representações, pois é visto e notório que o sexo masculino é predominância absoluta entre os produtores rurais. Sua competência a levou a presidir a poderosa CNA.
Com uma bem montada agenda na defesa dos interesses do agro negócio onde pretende desmistificar algumas causas que criaram antipatia aos produtores rurais, tanto por parte da imprensa, como também por políticos ligados à esquerda radical; pretende mostrar ao Brasil o valor e a importância desse segmento produtivo, que sozinho, é responsável por 40% de tudo que o país exporta.
Dos desafios a serem resolvidos pela presidente Kátia Abreu o maior deles, segundo ela mesma reconhece, é imediato. Só um terço do financiamento da safra brasileira é feito pelo governo através dos bancos oficiais. Dois terços desse financiamento era feito por recursos externos e agora os recursos externos secaram. Nem mesmo as compradoras multinacionais irão conseguir aportar os recursos necessários. Um desafio para o governo; para ela e, sem dúvida para o país que não pode prescindir do agro negócio. Graças a Deus, neste momento de crise, a Confederação Nacional da Agricultura está em mãos competentes.
* Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
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Fonte: Folha de Dourados



