Justiça suspende interrogatórios sobre caixa 2 de Zeca
Política – 25/03/2008
Decisões dadas ontem pelo desembargador João Batista da Costa Marques estendem benefício que já havia sido concedido ao ex-governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos a outros 5 réus, e mandam suspender interrogatórios que estavam marcados para amanhã e quarta-feira em uma das ações originadas da investigação do MPE (Ministério Público Estadual) a cerca de um suposto esquema de desvio de dinheiro público durante os governos do PT no Estado, entre 1999 e 2006. Estavam previstos para amanhã os depoimentos da mulher que originou a denúncia, Ivanete Leite Martins, e do ex-secretário de governo, Raufi Marques. Ao todo, entre amanhã e quarta-feira, estavam previstos 8 depoimentos, incluindo o de Zeca. Só dois estão mantidos por enquanto, de empresários acusados de serem beneficiados pelo esquema, com a venda de notas frias.Os despachos do desembargador mandam oficiar o juiz responsável pelo caso, Luis Carlos de Sousa Ataíde, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, de que o andamento do processo deve ser suspenso.A decisão atende a pedido dos advogados dos réus. Eles solicitaram que o mesmo benefício concedido ao ex-governador fosse estentido aos seus clientes. O liminar foi dada pelo desembargador que, para a acusação, é considerado suspeito de julgar casos que envolvam Zeca do PT.O MPE quer excluir ainda um outro desembargador, Claudior Miguel Abss Duarte, dos processos que envolvem o goverador. No caso de Costa Marques, a alegação é que ele é amigo do ex-governador, por quem foi nomeado para o cargo. Quanto a Abss Duarte, os promotores alegam que deveria ser considerado suspeito por ter ocupado a cadeira de governador, no lugarde Zeca, quando ele deixou a administração estadual, em 2006, para atuar na campanha dos candidatos do PT.Na decisão liminar, o pedido de afastamento foi negado. Falta ainda o julgamento do mérito da questão. Também não foi julgado ainda o mérito do pedido de suspensão da liminar que trancou a ação contra Zeca do PT. O julgamento já foi adiado várias vezes por falta de quórum desde o ano passado. Agora, está previsto para abril. A denúncia de existência do esquema de desvio de dinheiro público já produziu, ao todo, de 12 ações relacionadas, envolvendo mais de uma centena de pessoas, que vão desde o ex-governador, o ex-secretário e ex-servidores que tinham cargo de confiança, empresários e profissionais de comunicação apontados como beneficiados pelas irregularidades. O escândalo surgiu em maio do ano passado, após uma entrevista da ex-servidora Ivanete Leite Martins, gravada em DVD, em que ela fala do desvido de verbas para formar Caixa 2. e as primeiras ações foram apresentadas em outubro. As denúncias do MPE apontam que mais de R$ 30 milhões teriam sido desviados.
Fonte: Campo Grande News



