A taxa média de juros do rotativo do cartão de crédito caiu pela segunda vez consecutiva e chegou a 424,5% ao ano em janeiro, o menor valor desde maio de 2024, quando o índice marcou 422,4%. O indicador teve queda de 13,7 pontos percentuais em relação a dezembro, quando a taxa era de 438,2% ao ano. A informação consta das Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta quarta-feira (25) pelo Banco Central.
Na prática, isso significa que qualquer dívida no cartão de crédito feita há um ano cresce cinco vezes se o consumidor não pagar a fatura no dia do vencimento.
Por exemplo, o consumidor que devia R$ 800 em janeiro do ano passado precisa desembolsar um adicional de R$ 3.396 para quitar o saldo devedor com a instituição financeira após um ano, totalizando uma dívida de R$ 4.196.
Apesar da alta dos juros, em dezembro de 2023, o Conselho Monetário Nacional determinou um limite de 100% para as taxas de juros do rotativo após o Congresso Nacional aprovar uma lei com essa regra.
A decisão entrou em vigor no ano passado e vale para as dívidas contraídas a partir de janeiro. Sendo assim, com a nova norma, se a dívida for de R$ 200, por exemplo, o valor total, com a cobrança de juros e encargos, não poderá exceder R$ 400.
Descumprimento da lei?
As taxas apresentadas pelo BC podem sugerir, portanto, que os bancos estejam descumprindo a lei, mas o que acontece é apenas um registro estatístico. Para chegar às taxas anuais, a autoridade monetária extrapola o juro cobrado ao mês pela instituição financeira para o ano.
Essa taxa, porém, nem sempre é efetivada porque, geralmente, são apenas por alguns dias ou semanas que o consumidor fica “pendurado” no cartão, que costuma ter as taxas mais elevadas.
O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, explicou que a instituição não pretende descontinuar essa série histórica.
Isso porque ela ainda serve como referência para mostrar a velocidade de aumento ou redução dos juros e também porque é um dos componentes para se chegar à taxa cobrada pelo sistema na totalidade.
Cheque especial
O cheque especial, segunda linha de crédito mais cara disponível no mercado, que está embutida na conta-corrente dos brasileiros, seguiu praticamente estável em janeiro. Os juros médios chegaram a 138,7% ao ano, 0,2 pontos percentuais a menos do que o registrado em dezembro.
No cheque especial, uma dívida de R$ 800 mantida por um ano sem pagamento salta para R$ 1.109,60.
(Informações R7)

