Júlio da Erva Mate - Fotos: Ison Boca Venâncio

Ilson Boca Venâncio –

Conversando com o Júlio ele me disse, que a sua escolha pelo ramo em que trabalha não foi simplesmente por uma opção de trabalho, mas por uma cultura que vinha de família. Os seus parentes residentes no Paraná já tinham esse envolvimento com a produção da erva mate, cultura comum por esses caminhos onde existem os rastros da cultura Guarani.

Seu pai, o Senhor Jorge veio para o Mato Grosso do Sul, nos anos sessenta, indo morar no Panambi, trazendo com ele essa cultura.

Julio me contou que quando morou com o pai no sitio do Panambi adotou esse trabalho, e começou a produzir e distribuir para venda da erva mate, sendo a feira livre um dos seus locais de fornecimento.

Disse-me ainda que como fornecedor trabalhou durante vinte anos e, só no ano 2.000, na virada do século e milênio é que adquiriu um espaço e começou a vender no varejo, ou no “retalho” como se diz no Nordeste.

Como varejista se agradou bastante com a troca de idéias com os fregueses que apreciam o seu produto, erva nova e cheirosa, com sabor e aroma de barbaguá, erva fina moída para o chimarrão, erva grossa, quebrada para o Tereré. E quando o freguês deseja uma mistura entre elas ele faz sempre com muita boa vontade.

Eu, como consumidor e apreciador de um bom chá prefiro a erva grossa, e gosto de queimar com a brasa e sentir aquele cheiro que exala chá chamado aqui entre nós de “cocido”, adicionado de uma água pura adoçado com rapadura, açúcar mascavo ou mesmo um pouco de açúcar branco. Se colocar um pouco de limão, laranja ou abacaxi aí há excesso de delícia.

Ele fala que esse convívio com o mundo da cultura da erva mate e a sua atuação na feira livre o faz sentir-se participante fiel da cultura tradicional da sua família.

Trabalhar com um produto que é a cultura da cidade, como o tereré e o chimarrão, em termos financeiros, é uma certeza de freguesia fiel, de boas vendas e uma agradável interação com os clientes.

Ao Júlio eu só tenho que agradecer por essa conversa boa reveladora e consciente de que os prazeres que vêm do comércio não são feitos pelo lucro imediato, mas também dos valores culturais que, no seu caso, fala muito mais alto.

Júlio da Erva Mate: 'Caminhos onde existem rastros da cultura Guarani'