Juiz garante que ‘matador de travesti’ não sairá da prisão
Promessa – 08/04/2008
O adiamento do julgamento de Paulo Sérgio de Oliveira, o Careca, 32 anos, acusado de matar cinco pessoas, entre elas dois travestis, em Dourados e ferir outras duas, somente foi possível após o juiz presidente do Tribunal de Júri de Dourados, Celso Antônio Schuch Santos garantir a promotora de Justiça da 2ª Promotoria de Justiça de Caarapó, Fabrícia Barbosa Lima, de que o réu não seria posto em liberdade, conforme desejo do advogado de defesa , o criminalista Isaac Duarte de Barros Júnior.
Com a promessa do juiz que também responde pela 3ª Vara de Execuções Penais e pela corregedoria dos presídios da cidade, a acusação acatou em tese o pedido da defesa para que Careca fosse submetido a uma junta médica antes de ser submetido aos cinco últimos julgamentos na qual ainda terá de acontecer. Vim para fazer o júri, todavia diante do pedido da defesa e a garantia do juiz corregedor e presidente do Tribunal de Júri que o réu não será posto em liberdade, entendi que os trabalhos fossem adiado, porém com Paulo Sérgio sendo mantido encarcerado até que seja submetido aos exames que serão feitos pela junta médica que será formada por determinação do juiz disse Fabrícia Lima.
A defesa solicitou ao juiz que unificasse os cinco processos e que o mesmo ficasse em liberdade no aguardo dos julgamentos, porém este pedido foi negado pela promotora, que diz entender que o réu é um bandido costumas e frio, calculista e que foi impiedoso com suas vitimas e estando na rua ele seria de extremo risco para a sociedade em geral. Colocar o réu em liberdade seria uma total irresponsabilidade por parte da Justiça, pois o próprio advogado de defesa já deixou claro que ele seria um psicopata e teria de passar por uma junta médica, lembrou à promotora que antes dos inícios dos trabalhos, havia informado a reportagem da folha de dourados que iria pedir a condenação máxima de Paulo Sérgio por atentado qualificado e homicídio consumado qualificado.
Careca que ficou conhecido supostamente como serial killer matador de travestis cumpre pena na penitenciária Harry Amorin Costa seria julgado hoje após ser acusado de ter matado o pedreiro Denílson Ivo da Silva e atentar contra a vida do travesti Francisco Martins de Souza, a Valéria, crimes estes ocorridos no dia 20 de fevereiro de 97 no cruzamento da avenida Marcelino Pires com a rua Isidoro Pedroso, área central de Dourados.
Ele também matou a tiros uma mulher após ser contratado pelo amásio dela que atualmente encontra-se preso por tráfico de drogas na Bahia e o taxista Eleotério Ojeda, crimes estes ocorridos na região do Jardim Clímax e Vila Mattos, também no início de 1.997.
Com a decisão de que o réu deverá ser submetido em um prazo de até 90 dias por uma junta médica, o juiz deu por encerrado os trabalhos e Careca sob um forte esquema de segurança foi levado novamente a penitenciária Harry Amorim Costa, onde já está há mais de dez anos cumprindo condenação de mais de 180 anos por outros crimes que cometeu na cidade.
Em contato com a reportagem por sua vez, Celso Schuch disse que o adiamento do julgamento de hoje era necessário dada ao entendimento entre a acusação e a defesa.
Para este processo em que foi vítima fatal um pedreiro e de tentativa uma travesti, Celso Schuch diz que vai esperar os resultados da junta médica para ver se Paulo Sérgio voltará ou não ao banco dos réus. Tem duas possibilidades a partir de agora. No primeiro, caso a junta constatar que o réu é inimputável ele será absolvido dos processos e será aplicada contra ele uma medida de segurança, provavelmente a internação em um hospital psiquiátrico com o máximo de segurança possível. Caso a decisão for ao contrário, ele voltará a ser submetido a julgamento popular ainda neste ano, definiu o juiz, reafirmando que Paulo Sérgio de Oliveira, o Careca, hoje portador do vírus do HIV dificilmente deverá voltar às ruas conforme pleiteia o seu defensor junto a Justiça, uma vez que contra ele há outros processos, inclusive em outro Estado que não lhe dará direito algum de obter algum beneficio quer seja pela LEP (Leis de Execuções Penais), quer pelo Tribunal de Justiça do Estado. (Reportagem: Waldemar Gonçalves – Russo)
Fonte: Folha de Dourados



