Juiz eleitoral manda apreender até doações de pré-candidatos em Dourados
Eleições 2008 – 26/06/2008
Juiz eleitoral manda apreender até doações de pré-candidatos em Dourados
O juiz da 18ª Zona Eleitoral de Dourados, José Carlos de Souza, tem demonstrado rigor contra qualquer indício de propaganda eleitoral em Dourados. Na semana passada, o juiz determinou a PF (Polícia Federal) o cumprimento de um mandado de apreensão de cadeiras de rodas, muletas, remédios, cestas básicas ou qualquer outro objeto, sem nota fiscal, doado por pré-candidatos a prefeito e vereador na cidade. Segundo o magistrado, a doação desses objetos caracteriza “compra de voto”. Os materiais recolhidos serão utilizados como provas em possíveis ações de crime eleitoral. No entanto, a ação da Justiça Eleitoral de apreender os objetos tem revoltado muitas famílias em Dourados. Um dos casos foi constatado no Jardim Flórida II, onde a PF apreendeu uma cadeira de rodas de um idoso 79 anos. A cadeira teria sido doada por um dos pré-candidatos a prefeito. Conforme Zila Novachisk, esposa do idoso, a cadeira havia sido doada pelo pré-candidato há pelo menos um ano e meio. Na cadeira continha o nome pré-candidato. “Ficamos surpresos quando a polícia chegou aqui e pediu a cadeira de rodas. Meu esposo utilizava aquela cadeira para se locomover há quase dois anos”, comentou Zila. A mulher disse que em virtude da apreensão da cadeira de rodas, o idoso está impossibilitado de se locomover. Desde então, ele está sendo mantido deitado ou sentado na cama. “A situação ficou difícil. Não temos como comprar uma cadeira de rodas de imediato. Enquanto isso, o meu marido vai ter que ficar só na cama”, falou. Contudo, o juiz promete rigor para fiscalizar a doação de objetos por candidatos, já que o ato se caracteriza crime. “Os fins não justificam os meios. Se for preciso, vamos pedir para os empresários sérios da cidade para doarem a cadeira de rodas ao necessitado. O que não podemos permitir é essa prática abusiva, mesmo que a doação tenha sido feita há mais de um ano. A pessoa tem que decidir se fica do lado da Justiça ou da bandidagem. Não podemos permitir que seja feita política em cima da desgraça dos outros”, afirmou José Carlos de Souza, ontem à tarde.
Fonte: Diário MS



