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Jovem morre após convulsões em residência e caso gera suspeita de feminicídio em Campo Grande

Redação –

Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, morreu após ser socorrida em estado grave, com sucessivas convulsões, na tarde desta sexta-feira (6), em uma residência no bairro Paulo Coelho Machado, em Campo Grande. A morte, confirmada durante a madrugada deste sábado (7), é cercada por versões divergentes e suspeitas levantadas por amigos da vítima.

Conforme o boletim de ocorrência inicial, a Polícia Militar foi acionada para prestar apoio a uma equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Quando os policiais chegaram ao local, a jovem já estava desacordada dentro da ambulância. Os socorristas informaram que ela apresentava um quadro clínico crítico em razão das convulsões, além de cortes no pé esquerdo e uma lesão no rosto, abaixo do olho direito, aparentemente provocada por impacto.

O namorado da vítima, um estudante de 21 anos, era a única pessoa dentro da casa no momento da ocorrência. Aos policiais, ele relatou que o casal havia ido ao fórum para que Ludmila retirasse um boletim de ocorrência registrado contra ele no ano anterior. Segundo ele, após uma discussão motivada por ciúmes em frente ao local, os dois retornaram para a residência dele em veículos separados.

Ainda de acordo com o estudante, já na casa, a discussão continuou e ele teria visto a jovem colocar um pó branco — que ela teria dito ser cocaína — em um copo com água e ingerir o conteúdo. Em seguida, ela começou a passar mal. O rapaz afirmou que tentou ajudá-la levando-a para o banho e pediu a uma vizinha que acionasse o socorro. Ele também disse que, ao sair do banheiro, a jovem sofreu uma convulsão e bateu o rosto na porta do quarto.

Durante o atendimento da ocorrência, os policiais perceberam que o estudante apresentava arranhões no pescoço e no braço esquerdo, além de uma marca de mordida em um dos dedos. Ele alegou que as lesões ocorreram quando a jovem segurou sua mão durante a crise e que tentou puxar a língua dela para evitar que engasgasse.

Uma vizinha de 53 anos confirmou ter sido chamada pelo rapaz para pedir ajuda e acionou o Samu. No entanto, ela relatou que não presenciou o que ocorreu dentro da casa, apenas viu a jovem caída e convulsionando pelo portão aberto da residência.

Ludmila foi encaminhada com vida para a Santa Casa, mas não resistiu.

Inicialmente, o caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) como emergência clínica e tentativa de suicídio. No entanto, amigos da vítima procuraram a imprensa e levantaram suspeitas de feminicídio. Segundo relatos de pessoas próximas, o namorado teria histórico de comportamento violento e já teria agredido a jovem anteriormente.

As suspeitas ganharam força após a análise do prontuário médico obtido pela reportagem. O documento aponta que Ludmila deu entrada no hospital em coma profundo após parada cardiorrespiratória e apresentava traumas físicos graves.

Entre as lesões descritas estão um hematoma e ferimento cortante no olho direito, desvio da arcada dentária superior e uma fratura cominutiva grave na clavícula — quando o osso é estilhaçado — que exigiu intervenção cirúrgica para fixação. O quadro indica lesões compatíveis com trauma de alta energia.

A Polícia Civil ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, que deve ser investigado para esclarecer as circunstâncias da morte.

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