Jovem de 22 anos morre por suspeita de dengue hemorrágica na Capital
Capital – 20/01/2010
Com sintomas da dengue – febre e dores pelo corpo – um paciente de 22 anos procurou atendimento no Posto de Saúde da Vila Almeida, região da Júlio de Castilhos, em Campo Grande, na sexta-feira, 15 de janeiro, às 11h30.
O jovem era casado, pai de família e já não era a primeira vez que buscava auxílio médico.
Segundo informações apuradas pelo Midiamax, o paciente, atendido como vítima de uma virose, ficou de repouso. Permaneceu em observação, não foi encaminhado ao hospital e à tarde piorou. Por volta das 16h30 ele faleceu dentro do posto de saúde.
Foi neste momento que veio a suspeita de que ele possa ter sido mais um paciente vítima de dengue hemorrágica. “Houve uma evolução muito rápida do quadro até chegar ao óbito”, disse um dos profissionais da unidade do Vila Almeida.
Houve sangramento pela boca e também foi constatado edema agudo de pulmão, ou seja, acúmulo de líquido, outra característica da dengue hemorrágica.
De acordo com a diretora de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Ana Lúcia Lyrio, há suspeita de que a dengue tenha sido fator complicador, mas não a causa da morte. Ana Lyrio aguarda o laudo do Instituto Médico Legal antes de confirmar a suspeita.
A região do Jardim Panamá tem registrado muitos casos suspeitos da doença, conforme informações da unidade de saúde. Porém, Ana Lyrio afirma que o bairro não é considerado problemático.
Campo Grande
Nos primeiros 19 dias de janeiro foram notificados 1538 suspeitas da doença, sendo que desse número, dois casos já foram confirmados. Esse alto número de notificações acaba refletindo, muitas vezes, em internações.
Segundo a médica infectologista da Santa Casa, Haydée Marina do Valle Pereira, já foram internadas no hospital 10 pessoas em 2010 com a doença, sendo que 5 estavam com dengue hemorrágica.
Segundo a médica infectologista, a dengue é uma doença que causa uma lesão no vaso sanguíneo e que, por isso, o principal tratamento é a hidratação.
No quadro clássico, a pessoa infectada tem febre alta (39ºC e 40ºC), dores de cabeça, cansaço, dor muscular e articulações, enjôos, vômitos, dor abdominal e manchas na pele. Os sintomas duram em média até 10 dias.
A internação é necessária quando se faz o exame das contagem das plaquetas e elas estão abaixo de 50.000 mm, além disso, o paciente pode apresentar alguns sinais de alerta como dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hipotensão arterial. Muitas vezes, quando as pessoas apresentam esse quadro, ela está com dengue hemorrágica.
No começo, esse quadro da doença se assemelha com a dengue clássica, mas, depois do terceiro dia surgem hemorragias devido ao sangramento de pequenos vasos na pele e nos órgãos internos. Além disso, ela pode provocar hemorragias nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas.
Devido a isso, o doente acaba sendo internado para que seja hidratado e monitorado através dos exames, como o da contagem das plaquetas, que vão mostrar como está a evolução da doença.
O quadro critico da doença é o denominado síndrome de choque da dengue, quando a pessoa apresenta um pulso quase imperceptível, inquietação, palidez e perda da consciência.
É preciso estar atento, pois com o tempo, pode haver um choque circulatório e o sangue deixa de circular prejudicando os órgãos que podem parar de funcionar e levar o paciente à morte.
Diante disso, a médica infectologista Haidée Pereira afirma que as pessoas devem estar atentas e realizar os exames, já que, muitas vezes, as pessoas já tiveram dengue e nem tiveram conhecimento. Quando a pessoa fica doente pela segunda vez, ela pode apresentar um quadro mais grave de dengue.
“No Brasil, pode-se pegar dengue três vezes, aqui há três sorotipos da doença. Eu tenho visto que muitas vezes, as pessoas pegaram a dengue uma vez e não sabiam disso. As chances dela vir de um modo mais grave pela segunda vez é forte, por isso, as pessoas que estão com sintomas suspeitos precisam fazer os exames”, afirma Haidée Pereira.
Além disso, ela ressalta que uma das formas mais eficazes das pessoas combaterem a doença é através da conscientização de que é preciso não deixar terrenos sujos, água empossada, colocar areias nos vasos. Medidas que são simples, mas que podem contribuir muito para que a doença não se propague.
“É preciso conscientização, as pessoas não podem deixar aparecer os focos, porque há a transmissão vertical do mosquito, ou seja, os filhotes da fêmea também poderão transmitir a doença. É preciso estar atento e se sentir os sintomas, é necessário buscar atendimento”, afirma a médica.
Fonte: Midia Max



