21/11/2012 20h33

Por: Folha de Dourados

Waldemar Gonçalves – Russo

Se já não bastassem os problemas externos, quando nas ruas e
avenidas de Dourados circulam livremente inúmeros infratores, em sua maioria
menores, presidiários no regime aberto e semi-aberto, que aplicam os mais
diversos delitos contra a população trabalhadora, como arrombamentos
seguidos de furtos em lojas comerciais e residências, surrupiando tudo que
enxergam a sua frente, e destruindo aquilo que não podem levar.

Na verdade, estes mesmos produtos adquiridos por seus proprietários
com muito sacrifício, a custa de manobras de seus salários e até mesmo
com “dura economia no bolso e principalmente na barriga” são facilmente
arrebatados por inescrupulosos receptadores ou donos de pontos de vendas
de drogas.

Após serem furtados, facilmente os produtos é trocados por trouxinhas
de maconha ou papelotes de cocaína e principalmente por pedras de cráck, o
que é muito lamentável, pois é sabido que dificilmente os nossos organismos
policiais conseguem chegar até aos autores dos delitos, quer seja eles, os
ladrões; os receptadores ou donos de pontos de vendas de drogas, que, aliás,
existem aos milhares nos quatro cantos da cidade.

Além destes problemas do cotidiano do povo trabalhador ao longo do
365 dias, eis que surge, o eterno problema de fim de ano, onde por força de
uma Lei retrógada, até mesmo “covarde” para com os contribuintes e chefes de
família, a tal “Licença de fim de ano” que muitos chamam de indulto de Natal
que é assinado pelo presidente da República e transformado em Decreto, e, a
utopia de “Visita ao lar”, com previsão de cerca de 40 presidiários ou mais,
recebendo o passe livre para então supostamente visitar seus entes-queridos,
o que na realidade, muitos deles assim não irão fazer.

Mas queira ou não, justamente nesta mesma época, quando os mesmos
saem às ruas, os índices de arrombamentos seguidos de furtos aumentam.
Seria mera coincidência (?)…Será que em vez deles, em sua maioria, em visita
ao lar para rever filhos, esposas, pai e mãe, estes não visitam também
os “lares dos outros” ???.

É triste, mas deve se pensar nisso, uma vez que volta e meia alguns
deles é preso em flagrante por tentativa disso ou daquilo ou por envolvimento
com o tráfico de drogas pelas ruas e avenidas da cidade.

Enfim, lamentavelmente os altos índices de arrombamentos seguidos de
furtos na cidade de Dourados é uma triste realidade…! Mais lamentável ainda é

a falta de uma estrutura em nossas Leis, que abrem os portões do presídio,
com o intuito de oferecer ao condenado, o direito de visitar seus lares, mas
será que uma maioria dos mesmos não aproveita, e em vez de visitar seus
lares acabam por visitar os nossos…?.

De problemas à comunidade, bastam os já criados pelos impunes e
chamados de “menores infratores”, que de um lado receberam seus direitos, o
famigerado ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que tem deveres
também a ser delegados, porém, muito pouco se faz neste sentido, uma vez
que não se conhece um menor infrator cumprindo à risca os seus deveres,
mas sim, usando e abusando de seus direitos, causando enormes prejuízos à
sociedade, que assim como estes que aí virão daqui uns dias para a visita ao
lar, não será difícil de acreditar que na verdade muitos deles estarão sim
visitando os nossos, pois todos eles, sem exceção, sabem da fragilidade e da
impotência de nossos organismos de segurança pública porque senão vejamos.

A PF (Polícia Federal) foi tempo em que ela atuava dentro da cidade,
e olha que naquela época o então delegado Delci Teixeira, que adorava a
cidade, não tinha nas mãos, a estrutura que a delegacia tem hoje.

O DOF (Departamento de Operações de Fronteira) hoje é um órgão
que assim como a PF, também não serve nada para ajudar a combater a
criminalidade, o que na época de Adib Massad e sua turma, Dourados era uma
de suas prioridades, pois a razão da criação deste grupo especial apelidado
de “Águia da Fronteira” foi justamente por causa dos altos índices de assaltos
que havia nas fazendas e principalmente na cidade.

A GMD (Guarda Municipal de Dourados) faz aquilo que está dentro
de suas condições, mas não tem assim tanto poder de polícia e claro, muitos
dos servidores que lá estão não querem arrumar para as suas cabeças,
combatendo os bandidos.

A PC (Polícia Civil) coitada, há anos está falida, tanto que somente o 1º
Distrito Policial possui uma equipe de investigação, que convenhamos em que
pese ser muito boa, está atolada de ordem de serviços pela grandiosidade que
é a cidade, enquanto muitos agentes que lá estão se quer conhece uma Vila
Cachoeirinha por exemplo. No caso da PC, a turma do doutor Antônio Carlos
Videira, o “Carlinhos” procuram ou pelo menos tentam melhorar, mas o trem
tá tão feio para o lado do órgão, que nem “dedo duro” ou “alcagüete” ele tem
para ajudar os agentes a desvendar e prender os bandidos, os receptadores e
principalmente os proprietários de pontos de vendas de drogas.

A PM (Polícia Militar) está defasada num tanto que pouca gente
percebeu, mas nos últimos dias, as viaturas, que em sua maioria estão
entrando na fase do sucateamento e devem ser no máximo cinco percorrem as
ruas e as avenidas da cidade, conta com apenas dois homens dentro delas.

Neste caso aqui consta que muitos policiais militares estão de férias
enquanto outros de licenças médicas e o pior, os praças velhos em vias de
por o pijama para ir para casa não quer arrumar dor de cabeça e os que são
novatos ou estão no estado probatório, muito menos ainda.

Vai daí que, se não haver uma mobilização no setor de segurança
pública neste final de ano, os bandidos vão sim, deitar e rolar, é só esperar e
pagar (caro por sinal) para ver, pois se falta um comprometimento maior nos
organismos policiais que atuam na cidade no combate a criminalidade, com
certeza sobra bandidos para tirar a paz e principalmente os bens dos cidadãos
de bem…! Parei e fui, mas volto !!!.

**Waldemar Gonçalves, o Russo, é jornalista e membro do
Sindicato dos Jornalistas Profissionais na Região da Grande Dourados(Sinjorgran)

O jornalista Waldemar Gonçalves - Russo entrevistando o prefeito Murilo Zauith - foto/arquivo

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