Instituto Nacional de Terapia Celular será criado em abril
Saúde – 11/03/2008
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, informou nesta quinta-feira (6) que está mantida a decisão de criar o Instituto Nacional de Terapia Celular (INTC), apesar do adiamento da decisão do STF, que define a constitucionalidade da Lei de Biossegurança. “Acredito que, até o próximo mês, a rede brasileira de terapia celular já esteja em atividade”, anunciou. Ele explicou que o INTC será uma rede de conhecimento. O instituto, que funcionará virtualmente, visa integrar um conjunto de instituições de pesquisas, centros universitários e Institutos, como o Nacional do Câncer no Rio de Janeiro e o Ludwig em São Paulo, para a troca de experiências com células-tronco. Essa cooperação entre as instituições possibilitará maior integração entre os pesquisadores, bem como a padronização de alguns processos de pesquisa para todo Brasil. O ministro Temporão lamentou o adiamento da decisão do STF. “Embora a Lei esteja em vigor, há o receio dos laboratórios e pesquisadores em iniciar um investimento em longo prazo. Uma pesquisa desta natureza tem alto custo financeiro. Ela envolve a estruturação de equipe, alunos, doutores e pós-doutores, bem como dos laboratórios e de linhas de pesquisa”, esclareceu. “Hipoteticamente, esses estudos podem ter que ser encerrados ou interrompidos”, prosseguiu. Apesar disso, José Temporão assegurou que dará continuidade aos investimentos do Ministério da Saúde em projetos com células-tronco. “As pesquisas em curso,financiadas com recursos dos ministérios da Saúde e Ciência e Tecnologia, não serão suspensas”, afirmou. Desde 2005, os dois ministérios já asseguraram R$ 24 milhões para pesquisas com células-tronco. “São estudos voltados para doenças onde esta terapêutica celular pode revolucionar a medicina”, destacou o ministro. Essas pesquisas envolvem a utilização de células-tronco embrionárias, derivadas da medula óssea e/ou cordão umbilical para o tratamento de diversas patologias como lesões raqui-medular, diabetes e doenças genéticas, entre outras. Há mais de 2 anos, o Brasil conta com uma rede de banco de sangue de cordão umbilical e placentário. “Atualmente, temos 4 laboratórios que atuam neste segmento: no Rio de Janeiro, Campinas, São Paulo e Ribeirão Preto”, informou o ministro Temporão. A expectativa, segundo o ministro, é de que, até o final de 2008, o Brasil tenha mais 2 laboratórios. O BNDES está investindo R$ 30 milhões na estruturação dessa rede. “Já temos 5 mil cordões armazenados no Brasil. Já salvamos muitas vidas e vamos salvar muitas outras”, comemorou. Temporão lembrou que a maioria das pesquisas de células-tronco no Brasil é financiada pelo governo.
Fonte: Agência Saúde



