Injeção pode proteger coração durante ataque cardíaco
Estudo – 12/09/2008
Teste do efeito benéfico da substância foi feito com roedores.Grupo espera parceria com indústria para conduzir testes em humanos.Dos males, o menor: um grupo de cientistas nos Estados Unidos descobriu uma maneira de reduzir os danos causados por um ataque cardíaco. Mas, por enquanto, o esquema de proteção só foi testado com sucesso em ratos. “Ainda não fizemos testes com humanos, e esperamos apoio de alguma companhia farmacêutica para seguir adiante em testes clínicos”, disse ao G1 a israelense Daria Mochly-Rosen, da Universidade Stanford, nos EUA. Ela é a autora principal do estudo, publicado na edição desta semana do periódico científico “Science”. A pesquisa consistiu em duas etapas. Num primeiro momento, os cientistas tiveram de identificar uma determinada substância presente no organismo que tivesse uma relação mais ou menos direta com a quantidade de danos causados no coração por isquemias — condições que envolvem a restrição da circulação sangüínea. Eles descobriram que havia uma correlação bem forte entre a presença de uma proteína, chamada ALDH-2, e a redução de danos ao coração. A partir daí, o desafio passou a ser descobrir uma outra substância que, ao ser introduzida no organismo, fosse capaz de ampliar a produção da ALDH-2.A grande caçada Atualmente, como não há meio de, só olhando a estrutura da proteína em questão, adivinhar que substância aumentaria sua produção, a coisa tem que ser meio na base de tentativa e erro. E põe tentativa e erro nisso. “No total, testamos cerca de 120 mil compostos”, revela Mochly-Rosen. “Mas tudo foi feito com a ajuda de um robô, é um processo bem rápido. Levamos três semanas.” A tal substância, que eles chamam de Alda-1, mostrou grandes resultados em ratos. Administrada antes da isquemia (induzida pelos cientistas), ela reduziu em 60% o tamanho do infarto sofrido pelo animal. Ou seja, a droga se mostrou eficiente para proteger o coração de problemas maiores. Por ora, o teste da substância foi feito de forma profilática, ou seja, numa tentativa de prever danos causados por um acidente vascular prestes a ocorrer. “Claro, na maioria dos casos nós não sabemos quando uma pessoa vai ter um ataque cardíaco, então para esses casos não há como administrar a droga antes”, diz Mochly-Rosen. “Mas em outras circunstâncias, como com pessoas que estão prestes a passar por uma cirurgia de ponte de safena, a Alda-1 pode funcionar.” Além disso, os cientistas querem agora testar os efeitos da mesma droga não como profilaxia, mas como tratamento. A idéia é ver se a substância consegue reduzir os danos causados por isquemias, mesmo depois que elas já ocorreram.
Fonte: G1



