Indignação e revolta nas liberações dos corpos de militares na Capital
Após acidente – 03/02/2010
Waldemar Gonçalves – Russo
Sepultados com honras militares na tarde de ontem os corpos dos militares Francisco Valenzuela Lopes, que respondia pela presidência da ACS (Associação de Cabos e Soldados) da PM em Dourados e do colega dele, o cabo Adevaldo Alves de Oliveira, e na manhã de hoje Oscar Castelo, após os três juntamente com o único sobrevivente, subtenente Nelcione Lacerda Duarte, terem sido vítimas de um acidente ocorrido na tarde de segunda-feira na rodovia BR-163, a poucos quilômetros do Distrito de Anhandui.
A reportagem apurou nos velórios dos três policiais militares, que além da tristeza pelas prematuras mortes deles, a revolta e a indignação maior por parte dos familiares, amigos da corporação e pessoais deles, foi quanto à demora nas liberações dos corpos no IML (Instituto Médico Legal) da capital, que foi de 12 horas em média.
Vale ressaltar que Oscar Castelo faleceu pouco depois das 6 horas da manhã de ontem e seu corpo somente chegou à capela mortuária em Dourados por volta das 23h15 para ser velado pelos familiares e amigos de fardas e pessoais.
Outra revolta e indignação foi quanto ao atendimento dispensado ao subtenente Nelcioni Lacerda Duarte no pronto-socorro da Santa Casa, onde o militar após ter dado entrada por volta das 16 horas, somente recebeu os primeiros cuidados médicos por volta das 19h30, assim mesmo após forte pressão de um tenente da corporação da capital que permaneceu dando assistência o tempo todo ao lado da maca aonde foi colocado o militar.
O subtenente após ser com muito custo ser medicado pelos plantonistas da Santa Casa pediu alta e foi liberado do hospital por volta das 20 horas e retornou a Dourados para passar por uma bateria de exames, todavia, ele compareceu ontem e hoje nos velórios dos companheiros e passa bem.
INTERVENÇÃO
Com relação à liberação dos corpos, a reportagem apurou que os de Francisco Lopes e de Adevaldo de Oliveira somente aconteceram cerca de 11 horas depois de suas mortes, após intervenção do atual comandante da PM (Polícia Militar) Carlos David junto ao secretário de Estado e de Segurança Pública, Wantuir Brasil Jacini, que teria por sua vez acionado a diretora do IML para que fossem providenciados médicos legistas para que as autopsias fossem realizadas.
Os corpos dos dois militares, Francisco Lopes e Adevaldo de Oliveira foram sepultados ontem às 17 horas no Cemitério Santo Antônio de Pádua após missa de corpo presente na Capela Bom Jesus, enquanto o de Oscar Castelo ocorreu às 9h45 de hoje, também com as mesmas honrarias de seus companheiros.
Com relação da demora das liberações dos corpos, informações extra-oficiais constam que os médicos legistas da capital dificilmente trabalham no período noturno, e que somente com as intervenções do comando geral da PM e do secretário de Segurança Pública eles foram liberados, assim mesmo, após quase 12 horas, tanto nos dois primeiros militares que faleceram, quanto ao terceiro. “Isso porque eles são servidores públicos. São policiais militares, imaginem se fossem pessoas simples, sem condições de terem uma intervenção. Com certeza seriam liberados assim que os legistas quisessem, não é mesmo”, observou um dos colegas de fardas dos militares mortos, indignados e revoltados assim como os familiares e amigos deles.
Além da revolta e da indignação pela demora das liberações dos corpos dos militares, uma outra ficou para o atendimento ao subtenente Nelcioni Lacerda que foi socorrido juntamente com Adevaldo de Oliveira para o pronto-socorro da Santa Casa. “Sabemos que o subtenente ficou mais de três horas sem nenhum atendimento, largado em uma maca em um dos corredores do hospital. Se não fosse a intervenção do tenente Róbson com certeza ele estaria até a manhã de hoje no aguardo de ser atendido”, disse irritado outro colega de farda das vítimas de acidente.
O ACIDENTE
No acidente que morreu no local Francisco Lopes e na Santa Casa de Campo Grande o cabo Adevaldo Alves e Oscar Castelo e deixou ferido o subtenente Nelcioni Lacerda Duarte, o fato aconteceu na BR-163, próximo de Anhandui, em Campo Grande.
O veículo VW/Gol, placas HSJ-9934, de Dourados que era conduzido pelo cabo/PM Francisco Lopes, saiu do controle dele no momento em que chovia muito na região, e após sofrer aqua-planagem foi colidir de frente com o caminhão Mercedes Benz, placas HST-6989, de Tupassi, Paraná, que era conduzido por Alan Fagner Berlusco, de 33 anos.
O caminhão seguia em sentido Campo Grande para Nova Alvorada do Sul e os ocupantes do automóvel no sentido contrário.
No choque, Francisco Lopes morreu no local e o corpo dele ficou preso nas ferragens.
Ele e os outros três policiais da reserva vinham a Campo Grande para posteriormente seguir com destino a Brasília, onde participariam da mobilização em defesa da aprovação da PEC 300, que equipara os salários dos policiais militares ao valor pago aos profissionais do Distrito Federal.
O automóvel ficou com a frente totalmente destruída, enquanto o caminhão perdeu a roda dianteira esquerda e danos na parte lateral direita. O automóvel ficou a 17 metros do local do acidente, enquanto o caminhão a 50 metros.
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) que atendeu a ocorrência afirmou que a causa provável do acidente foi realmente a aqua-planagem, ou seja, muita água na pista.
Fonte: Folha de Dourados



