“Idéia Fixa”, por Waldir Guerra
"Idéia Fixa", por Waldir Guerra
Opinião – 22/05/2009
Waldir Guerra
O desejo em cumprir promessa feita aos eleitores de implantar um anel viário para desviar o trânsito de caminhões pelo centro da cidade se transformou em ideia fixa no prefeito.
O caso daqui faz lembrar a ideia fixa do senador Eduardo Suplicy em implantar o seu projeto de Renda Mínima, coisa que ele propõe em cada entrevista que concede e onde ele estiver; quer esteja no Brasil ou lá fora, em outros países. Há que se render um tributo ao senador que vem pregando essa ideia antes mesmo de o presidente Fernando Henrique Cardoso ter implantado o Bolsa Família.
É necessário concordar com o prefeito na urgência e também na importância da obra para a cidade de Dourados. Também é preciso concordar com ele que não há recursos para isso. Pior, o município não tem e nem terá recursos próprios para realizar essa obra. Todos concordam, então, que é uma boa ideia envolver o governo do Estado nessa empreitada, pois este sim, teria condições de implantar uma perimetral.
Mas a criação de um Conselho Representativo Pró Dourados, composto por dezenas de pessoas e entidades de classe, com a incumbência exclusiva de viabilizar a implantação do anel viário, “força a barra” um pouco mais do que o necessário. Além de continuar parecendo uma transferência de responsabilidade, agora também mostra certa fraqueza da equipe montada pelo prefeito.
O anel viário pretendido pelo prefeito é uma obra de fôlego – como se diz de obras públicas de vulto – e isso significa dizer que será uma obra demorada. Não adianta discordar, a gente sabe que uma obra dessas não se faz da noite pro dia. Forçar uma solução imediata não é politicamente recomendado, mesmo porque, quando se trata de obras públicas todos conhecem o lento desenrolar delas, desde seus projetos.
Sim, mas o prefeito está com ideia fixa nela (tem auxiliar dizendo que o homem só fala nisso). Então alguém vai ter que dizer pra ele maneirar sua angústia e para isso nada melhor do que realizar uma obra nova. Uma obra que nem precise de projeto. Por exemplo: colocar placas indicativas com o nome das ruas em todas as esquinas na cidade de Dourados. Simples de executar; basta copiar o que o prefeito de Campo Grande fez. O sucesso desse trabalho é garantido, mas nada de inventar basta fazer exatamente igual ao que vem sendo feito na capital e sair para o abraço do povo.
Outra coisa: a retirada dos tachões que demarcavam as ciclovias é outra ideia fixa contra eles? A pergunta não é por conta de casos antecedentes, mas por se tratar do desmonte de uma obra que tinha como finalidade proteger ciclistas. Suprimir essa proteção sem dizer o porquê e sem apresentar outra variável pega mal. Com o “ervateiro” também foi assim, mas pelo menos, depois de retirado houve a explicação de que será recolocado em lugar mais apropriado.
E já que hoje o assunto enveredou pelo trânsito da cidade, outra sugestão boa é retirar todos os quebra-molas desnecessários que foram instalados pela administração passada; inclusive aqueles defronte a repartições públicas que seriam substituídos por redutores eletrônicos – mantidos pelos órgãos importantes que os exigirem, claro.
Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
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Fonte: Folha de Dourados



