Pular para o conteúdo
Sábado, 7 de novembro de 2026 Dourados 32 °C

Desde 1968 Ano 58

Desde 1968 · Ano 58

Agora
Arquivo

Homicídios lideram causas de mortes de jovens em MS

Estatística – 31/07/2008

Os homicídios são a maior causa, disparada, de mortes de adolescentes e jovens de até 29 anos em Campo Grande e no Estado: respondem por cerca 35% dos óbitos em Mato Grosso do Sul e 41% na Capital. Em bairros como o Nova Lima e o Coronel Antonino, os crescentes casos de mortes de jovens assustam moradores.
 
O alto índice de homicídios leva a questionar qual a raiz de tamanha violência. Para a psicóloga social Sonia Grubits, da UCDB, o problema tem origem na falta de limites e de modelos a serem seguidos dentro e fora de casa.
Conforme a última atualização do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade) da Secretaria de Saúde, feita no dia 3 de julho, de 299 adolescentes e jovens com idades entre 15 e 29 anos que morreram desde o começo do ano em Mato Grosso do Sul, 103 foram assassinados a tiros ou facadas.
Na Capital foram 108 mortes de pessoas nesta faixa etária, das quais 38 homicídios com armas de fogo e outras 7 por arma branca,
Fim da linha – Na infância uma criança peralta; na adolescência, rebeldia. Uma vida curta marcada por turbulências que chegou ao fim aos 16 anos, essa é a história é do adolescente Rafael Chulapá, que no último domingo foi morto com vários tiros na rua Santo Ângelo, no bairro Coronel Antonino. No mesmo dia, de tarde, ele havia sobrevivido a um atentado, no qual tinha recebido um disparo no braço.
A mãe Mercedes Cabral Chulapá, de 51 anos, mostra resignação. “Ele sempre deu problema, desde os 11 anos. Eu não tinha paz, sempre que encostava um carro em frente de casa, que alguma coisa acontecia eu já pensava ‘É o Rafa”, diz.
Para fugir do problema, a família se mudou do Aero Rancho para o Coronel Antonino, mas o garoto continuava se encontrando com os colegas do outro bairro e não aceitava ordens dos pais. A mãe diz que Rafael era agressivo e chegava a entrar em luta corporal com o pai, que tem problemas com bebida. “Mas sei que no fundo ele nos amava muito”, diz.
Aos 14 anos Rafael sofreu o primeiro atentado. Levou um tiro na barriga. Recentemente cometeu um furto e cumpriu medida sócio-educativa. No último sábado, conta Mercedes, ele apareceu em casa com uma moto e ao ser questionado primeiro disse que havia roubado e depois que pegou emprestado de um amigo e iria devolver.
No mesmo dia um rapaz buscou a moto na casa e no domingo de tarde Rafael levou um tiro no braço e disse que o atentado estaria relacionado à negociação da moto. “Quando cheguei em casa ele estava com o braço enfaixado. Eu disse para ele: ‘larga dessa vida, Deus está te dando várias chances e você não está segurando nenhuma”, relembra a dona de casa.
Enquanto os pais discutiam sobre quem levaria o jovem ao hospital ele saiu de casa. Algumas quadras depois foi morto com mais cinco tiros. “Acho que ele disse ‘não preciso de vocês’, colocou uma jaqueta e saiu. Pouco depois escutei os tiros e vieram me avisar”, conta a mãe.
Mercedes não acredita que o comportamento do filho possa ser de alguma forma reflexo da criação que recebeu. “Como mãe fiz tudo o que estava ao meu alcance”, afirma. A dona de casa conta que teve cinco filhos e que apenas Rafael, o caçula, dava trabalho. “Desde pequeno ele sempre foi peralta, depois começou a se envolver com más companhias”, diz.
Chutes e facadas – “Eu só pensava em ficar vivo”, diz o servente de pedreiro William Souza Messa, de 20 anos. Por pouco ele não entrou para a triste estatística de jovens vítimas da violência. Na última sexta-feira, à noite, ele foi espancado e esfaqueado por um grupo de cinco jovens, no bairro Nova Lima. As mãos ficaram marcadas por cortes de faca, porque ele as usou para proteger o pescoço. As estocadas perfuraram o pulmão e por isso o jovem precisou ficar internado na Santa Casa.
William diz que conhece apenas um dos integrantes do grupo e diz que eles o teriam agredido porque acreditam que ele esteja envolvido na morte do irmão deste rapaz. “Foi em uma lanchonete no Campo Belo, mas eu nem estava lá”, diz.
Assustado, ele afirma que pretende se mudar para o interior, para morar na zona rural. O rapaz diz que no bairro Nova Lima a violência é constante. “Toda hora é hora da confusão. Eu conheci pelo menos uns 10 que já morreram lá”, conta.
Sem herói – A falta de modelos dentro de fora de casa acaba gerando jovens sem referência e muitas vezes vulneráveis a influências ruins. “O modelo é uma coisa muito importante. Nessas comunidades onde se desenvolvem grupos criminosos às vezes o benfeitor e o herói é o marginal. Nós temos que ser esse modelo, é papel do pai, dos professores, dos avós, do governo e políticos, dos adultos em geral”, analisa a psicóloga social Sonia Grubits.
Outro ponto importante para quem está em fase de formação é a imposição de limites. “Os jovens são os que mais se expõem e por isso estão mais vulneráveis à violência. Ele tem menos maturidade para enfrentar algumas situações e precisa ter consciência para não se envolver em brigas e não irem a determinados lugares em determinadas horas”, complementa a psicóloga. Para ela, a educação é uma responsabilidade compartilhada entre a família, a escola, a sociedade e a mídia.

Fonte: CG News

Anuncie na Folha de Dourados

Desde 1968 informando Dourados e a Grande Dourados.

Fale com o comercial