Homem que tentou matar João Paulo II sai da prisão
Mundo – 18/01/2010
O turco Mehmet Ali Agca, que tentou matar o papa João Paulo 2º em 1981, foi libertado nesta segunda-feira depois de 29 anos na prisão. Em comunicado divulgado pelo seu advogado, ele proclama o fim do mundo, diz ser eterno e que todos vão morrer.
“Eu proclamo o fim do mundo. Todo o mundo será destruído neste século. Todo ser humano morrerá neste século. Eu sou o Cristo eterno”, afirmou Agca no comunicado.
Agca foi preso na Turquia depois de ser extraditado da Itália, em 2000, por vários crimes cometidos em Istambul antes da tentativa de assassinato do papa João Paulo 2º, em 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro de Roma.
O papa foi gravemente ferido no abdome, além de ter sido atingido na mão esquerda e no braço direito. João Paulo chegou a se encontrar com Agca na prisão de Rebibbia, na Itália, em 1983 e o perdoou pelo atentado.
O motivo do ataque permanece incerto. Quando Agca foi preso, minutos após o ataque, ele declarou ter agido sozinho. Mais tarde, sugeriu envolvimento da Bulgária e da KGB, a força de espionagem soviética, mas depois recuou. Seus comentários contraditórios frustaram qualquer tentativa de investigação.
O porta-voz do Vaticano, reverendo Federico Lombardi, disse que não há previsão de nenhum comunicado papal sobre a soltura de Agca.
O turco cumprimentou os jornalistas ao deixar a prisão de segurança máxima da região de Ancara, a 60 km da capital turca, e seguiu em comboio, dentro de um carro branco, direto para o departamento de psiquiatria do Hospital Militar Gata, afirmou seu advogado, Melahat Uzunoglu.
Lá, Agca vai ser avaliado para o serviço militar compulsório. Um relatório de 2006 dizia que ele não era apto por “severa desordem de personalidade antissocial”.
O advogado explicou aos jornalistas durante o fim de semana que o posto de alistamento militar da cidade natal de Agca, Malatya (leste do país), exige que ele seja examinado por médicos militares imediatamente após a libertação, já que, para o Exército, está em crime de fuga.
Desde sua prisão, começaram os questionamentos sobre a saúde mental de Agca, baseados principalmente em suas declarações sobre ser o messias. Seu advogado diz achar muito difícil que ele sirva no Exército.
Os exames, afirmou Uzunoglu, devem levar horas.
Agca disse que falaria sobre o ataque depois de sua soltura. Diversos jornalistas aguardam na entrada do hospital, mas o advogado disse que é muito difícil que ele faça declarações nesta segunda-feira.
Fonte: Folha Online



